Infância protegida gera adultos saudáveis

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A brincadeira com água remete a criança ao mar cósmico

 

A recomendação para que as crianças tenham uma infância livre, com muita brincadeira ao ar livre e atividades manuais já não é novidade. Seus benefícios para a socialização, a criatividade e a resolução de problemas tem sido há muito aclamados. Mas a Antroposofia vai mais longe. Afirma que a falta dos estímulos corretos e de um ambiente calmo pode fazer com que ao chegar à juventude, essa pessoa torne-se alguém que não encontre seu lugar no mundo.

O alerta é dado pelo professor Waldorf e escritor Daniel Udo de Haes (1899-1986). Segundo ele, a criança a partir dos três anos está em um estado que poderemos chamar de “anfíbio”, ou seja, podendo tal como o sapo, viver no seco (para a criança o mundo dos sentidos), mas podendo também, a cada instante, voltar a mergulhar na água (do espírito), necessitando manter a derme sempre “umidificada” por essa água do espírito, a fim de manter-se (espiritualmente) saudável, situação que vemos demonstrada no plano físico pelo sapo.

Esse período em que a criança se divide entre os dois mundos é considerado um dos mais importantes, pois permite que ela carregue no íntimo e abrigue aqui na Terra bens espirituais que poderão ser levados consigo pela vida toda. “Para que possamos tornar isso possível e não perturbemos o processo, precisamos aprender a compreender de que maneira a criança saudável, que ainda não foi “despertada” precocemente pelas circunstâncias da modernidade, tem a possibilidade de se entregar por completo às suas experiências que abrangem dois mundos” explica Haes.

Ele afirma ainda que a criança armazena esse conteúdo espiritual de forma inconsciente, guardando-o em forma de imagens que carregará consigo durante o seu crescimento. Só quando ela estiver madura é que esse material sairá do envoltório das imagens transformando-se em riqueza e força espiritual.

“Se a alma vai passar pela vida rica em forças ocultas ou em pobreza interior, depende em grande parte do fato de lhe terem sido oferecidos, na idade infantil, na fase de criança pequena, tanto a possibilidade quanto o sossego para encontrar nas imagens da terra que dela se aproximam a expressão da riqueza espiritual que trouxe consigo e, desse modo, ‘assimilá-las’. Poderá, dessa maneira, levá-las consigo na vida, sob essa configuração ou, caso contrário, a alma em sua mais tenra juventude estará rodeada por falsas imagens, sons virtuais como se apresentam atualmente diante das crianças na TV, no rádio, brinquedos inadequados, contos de fada sem conteúdo, assim como lendas enganosas, etc., em lugar de imagens verdadeiras, além de sofrer a separação precoce e muito rápida das suas ‘heranças celestes’”, ensina o autor.

Segundo Haes, “o futuro do ser humano ainda pequeno é determinado em grande parte pelos adultos que vivem ao seu redor e pelo meio ambiente que estes lhe oferecem. Dependerá das pessoas e do ambiente se elas terão, durante um longo e calmo ‘sonho infantil’ a possibilidade de entregar à encarnação terrestre os tesouros espirituais que trouxeram consigo ou se, já na juventude, perdendo seus bens cósmicos, caminharão pela vida como pessoas comuns, como pessoas esquisitas que, na realidade, não sabem o que querem”, explica.

Para Haes, o adulto precisa compreender o valor que essa fase da vida da criança pequena tem para toda a sua existência. E quando temos essa compreensão conseguimos entender que os contos de fadas, brincadeiras de roda, de massinha, com água, com terra, artesanato, lhe revelam algo do seu ser oculto.

Quando enxergamos na criança essa ambivalência do espiritual e terreno, conseguimos proteger essa vida em dois mundos e o que ela traz para auxiliá-la em sua caminhada terrena.

Esse papel não é apenas do Jardim de Infância. Embora as escolas Waldorf prezem por esse mundo da fantasia e dão total apoio para as crianças nessa fase, o lar em que ela está inserida também cumpre um papel primordial.  Veja aqui dicas de como aplicar a pedagogia Waldorf em casa. “Também em casa ela precisa processar a passagem do seu elevado reino de origem para a região da vida terrena de modo tranquilo, em total entrega. Somente quando o ambiente doméstico, dentro do qual a criança está crescendo, lhe oferece verdadeiro apoio e proteção nesse sentido, poderá o Jardim de Infância, se for também orientado do modo correto, ser plenamente para a criança pequena tudo aquilo que deria ser: a ponte dourada entre o céu e a terra”, conclui Haes.

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Fadinhas Waldorf

As fadinhas Waldorf são a minha paixão. Além de deixar o quarto da minha filha lindo, elas também são ideiais para enfeitar uma festa de aniversário, compor mesas de época e propiciar um contato direto com materiais naturais.

Essas fadinhas abaixo já estão alegrando a vida de crianças de diversas cidades, mas você também pode ter uma. É só encomendar a sua!

Construa memórias afetivas na Páscoa

A Páscoa está próxima e com ela diversas memórias que ficarão para sempre marcada na vida das crianças: a procissão na sexta-feira santa (para os católicos), as brincadeiras especiais no domingo e o chocolate ou outro presente que os pais queiram dar.

Os festivais cristãos  celebrados nas escolas Waldorf possuem um significado especial para as crianças porque os ajudam a criar uma orientação no tempo. Enquanto os adultos vivem no passado ou antecipando o futuro, as crianças vivem imersas no presente e os festivais ao longo do ano marcam a passagem do tempo.

E para criar memórias felizes, que ficarão para sempre em suas lembranças, trago a sugestão de duas atividades para serem feitas com seus filhos.

A primeira delas é a elaboração de um coelhinho de lã, feito a partir de um quadrado de tricô. Super fácil e lindo. Ele pode facilmente substituir o chocolate ou fazer parte de uma brincadeira de caça aos ovos.

Primeiramente, você faz uma quadrado de lã, que pode ser em ponto meia ou tricô. Em seguida, trace um triângulo na metade do quadrado. Coloque um pouco de enchimento no centro da forma e puxe a linha, para que ela possa franzir o quadrado de lã. Você verá que a cabeça e as orelhas do coelho já se formarão. Com a mesma linha, feche o quadrado de lã, formando o corpinho. Antes de costurá-lo totalmente, coloque enchimento. O melhor é que o enchimento seja de lã ou algodão, para que a criança tenha a sensação do material verdadeiro. Faça um pompom de lã e costure no corpinho do coelho.

Até eu, que tenho pouquíssima familiaridade com tricô, consegui fazer. O coelhinho da minha filha foi feito durante uma oficina dada na escola e será entregue em uma caçada ao coelho, que será feita um dia depois da Páscoa lá na escola.

Abaixo eu coloquei um tutorial, com imagens retiradas do postris.com, já que minhas fotos não ficaram muito boas.

 

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Outra atividade que as crianças adoram é a caça ao chocolate (ou coelhinho de lã). Essa brincadeira ficará muito mais divertida se for acompanhada da história do verdadeiro coelho da Páscoa, um conto russo, que divido com vocês:

Era uma vez um pai coelho de Páscoa e uma mãe coelha de Páscoa que tinham sete filhos. Ao aproximar-se a época da Páscoa, eles resolveram testar os coelhinhos para ver qual deles era o verdadeiro “coelho de Páscoa”.

A mãe pegou uma cesta com sete ovos e pediu para que cada filho escolhesse um para esconder.

O mais velho pegou o ovo dourado e saiu correndo por campos e montes até chegar ao portão da escola, mas deu então um salto tão grande e tão apressado que caiu de mau jeito quebrando o ovo. Esse não era o verdadeiro coelho de Páscoa.

O segundo escolheu o ovo prateado e pôs-se a caminho. Ao passar pelos campos encontrou a raposa. Esta queria comer o ovo e pediu-o ao Coelho. Ele não lhe quis dar. A raposa prometeu-lhe então uma moeda de ouro, conseguindo assim que o coelho a seguisse até sua toca. Chegando lá, a raposa escondeu o ovo e, com cara feia, mostrou os dentes como se quisesse comer o assustado coelhinho que saiu correndo o mais que pôde. Esse também não era o coelho de Páscoa.

O terceiro escolheu o ovo vermelho e pôs-se a caminho. Ao atravessar o campo encontrou-se com outro coelho e pensou: “Ainda tenho muito tempo. Vou lutar um pouco com ele”. Os dois coelhos lutaram e rolaram tanto pelo chão que amassaram o ovo. Também esse não era o verdadeiro coelho de Páscoa.

O quarto pegou o ovo verde e pôs-se a caminho. Quando passava pela floresta ouviu o chamado da Pega (1) que, pousada no galho de uma árvore, gritava: “Cuidado! A raposa vem vindo!”. O coelho assustado olhou à sua volta procurando um lugar para esconder o ovo.

– “Dá-me o ovo que eu o esconderei em meu ninho”, disse a Pega. O coelho deu-lhe o ovo mas, percebendo que não havia raposa alguma quis o ovo de volta. A Pega respondeu maldosamente: ”O ovo está muito bem guardado no meu ninho. Vem buscá-lo se quiseres”. Esse também não era o verdadeiro coelho de Páscoa.

O próximo escolheu o ovo cinzento. Quando ia andando pelo caminho chegou a um riacho. Ao passar pela ponte viu-se espelhado nas águas. Ficou tão encantado com sua própria imagem que se descuidou do ovo indo este se espatifar numa pedra. Esse também não era o coelho de Páscoa.

O outro coelhinho escolheu o ovo de chocolate e pôs-se a caminho. Encontrou-se com o esquilo que lhe pediu para dar uma lambida no ovo. – “Mas este ovo é para as crianças”, disse o coelho.

O esquilo insistiu tanto que o coelho deixou que ele desse uma lambida no ovo. O esquilo achou-o tão gostoso que o coelhinho resolveu dar também uma lambidinha. Lambida vai, lambida vem, os dois acabaram comendo o ovo. Esse também não era o coelho de Páscoa.

Chegou então a vez do mais jovem. Ele escolheu o ovo azul. Quando passou pelo campo, veio-lhe ao encontro a raposa, mas o coelho não entrou na conversa dela e continuou o seu caminho. Mais adiante encontrou o outro coelhinho que queria lutar com ele, mas ele não parou. Continuou caminhando até chegar à floresta. Ouviu os gritos da pega – “Cuidado! A raposa vem vindo!”. O coelho não se deixou enganar e continuou seu caminho. Chegou então ao riacho e cuidadosamente atravessou a ponte sem olhar para sua imagem refletida na água. Encontrou-se mais adiante com o esquilo mas não lhe permitiu lamber o ovo, pois este era para as crianças.

Chegou assim até o portão da escola. Deu um salto nem curto nem longo demais, chegando ao outro lado sem danificar o ovo. Procurou um esconderijo adequado no jardim da escola onde guardou cuidadosamente o ovo. Esse era o verdadeiro “Coelho de Páscoa”!*

(1) Ave que vive na Europa e que leva objetos cintilantes para seu ninho

*Fonte: Festas Cristãs

E você, tem alguma tradição diferente? Conte pra gente.
 

 

Documentário celebra o centenário da pedagogia Waldorf

Hoje eu gostaria de compartilhar com vocês um curto documentário sobre educação Waldorf em diferentes partes do globo. Embora não seja longo, é emocionante ver países tão distantes entre si como India, China, Brasil e Alemanha estão aplicando os mesmos princípios e ver como essa pedagogia está se espalhando rapidamente. Atualmente são mais de 1.000 escolas Waldorf e 1.700 jardins de infância Waldorf espalhados por 80 países.

O vídeo faz parte das comemorações pelo centenário da fundação da pedagogia Waldorf, que será oficialmente celebrado no dia 19/09/2019 ao redor do mundo.

Enjoy!!!

Documentário sobre pedagogia Waldorf

Como aplicar pedagogia Waldorf em casa

O acesso à  pedagogia Waldorf está crescendo no Brasil. Em 2016 haviam 95 escolas espalhadas por vários Estados, de acordo com o Instituto de Desenvolvimento Waldorf.

Apesar disso, esse número ainda é pequeno em função das dimensões continentais do nosso país e ao fato de estarem concentradas em poucas cidades. O custo das mensalidades, por sua vez, também pode ser considerado um entrave para muitas famílias.

Por isso hoje trouxe algumas dicas para aqueles que querem levar um pouco da prática pedagógica Waldorf para casa ou fortalecer o que já é aplicado nas escolas. Alguns dos tópicos abaixo já foram aprofundados em posts anteriores.

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Fonte: Wolfang Goebel, Michaela Glöcker – Consultório pediátrico: um conselheiro médico-pedagógico.

Férias de verão sem stress? É possível

As longas  férias de verão podem ser uma fonte de preocupação para os pais. O que fazer com as crianças durante tanto tempo? Será que elas vão ficar entediadas de estar em casa? Na ânsia de oferecer o melhor para os filhos, muitas vezes levamos estímulos demais, desnecessariamente.

Em vez de todos os dias oferecermos uma coisa diferente para fazer, é importante também deixar a criança em casa para que ela brinque sozinha, invente atividades com a sua imaginação. O estímulo em excesso faz com que ela perca a iniciativa própria, dependendo sempre de algo de fora para se divertir.

Uma das premissas da educação Waldorf é aprender pela ação e pela arte. Nada mais apropriado do que deixar que as crianças criem sua própria brincadeira. É surpreendente ver como elas se divertem com qualquer coisa. E quando evitamos dar brinquedos eletrônicos ou outro que tenha instruções rígidas a seguir, podemos ver a imaginação dos pequenos florescer.

O ritmo diário também é importante. Na medida do possível, devemos manter os horários das refeições, das brincadeiras e da hora de dormir. As crianças ficam mais relaxadas se elas conseguem antecipar o que vem em seguida. Quanto mais rítmica a vida da criança, melhor a sua saúde. Podemos aproveitar para incluí-las no ritmo diário da casa, como arrumar a mesa para as refeições ou ajudar na preparação de um prato, por exemplo.

Na hora de sair com os filhos, além de parques e clubes, a rede SESC oferece boas oportunidades nas férias. As diversas unidades espalhadas pelo país possuem brinquedotecas inspiradas na pedagogia Waldorf. São brinquedos de madeira, bonecos de pano sem feições definidas, tecidos e outros itens que permitem o livre brincar.

Acima de tudo, vale lembrar que a criança aprende por imitação. Então relaxamento, calma e paciência devem ser exercitados como um mantra nesse período. Boas férias!!!

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