Construa memórias afetivas na Páscoa

A Páscoa está próxima e com ela diversas memórias que ficarão para sempre marcada na vida das crianças: a procissão na sexta-feira santa (para os católicos), as brincadeiras especiais no domingo e o chocolate ou outro presente que os pais queiram dar.

Os festivais cristãos  celebrados nas escolas Waldorf possuem um significado especial para as crianças porque os ajudam a criar uma orientação no tempo. Enquanto os adultos vivem no passado ou antecipando o futuro, as crianças vivem imersas no presente e os festivais ao longo do ano marcam a passagem do tempo.

E para criar memórias felizes, que ficarão para sempre em suas lembranças, trago a sugestão de duas atividades para serem feitas com seus filhos.

A primeira delas é a elaboração de um coelhinho de lã, feito a partir de um quadrado de tricô. Super fácil e lindo. Ele pode facilmente substituir o chocolate ou fazer parte de uma brincadeira de caça aos ovos.

Primeiramente, você faz uma quadrado de lã, que pode ser em ponto meia ou tricô. Em seguida, trace um triângulo na metade do quadrado. Coloque um pouco de enchimento no centro da forma e puxe a linha, para que ela possa franzir o quadrado de lã. Você verá que a cabeça e as orelhas do coelho já se formarão. Com a mesma linha, feche o quadrado de lã, formando o corpinho. Antes de costurá-lo totalmente, coloque enchimento. O melhor é que o enchimento seja de lã ou algodão, para que a criança tenha a sensação do material verdadeiro. Faça um pompom de lã e costure no corpinho do coelho.

Até eu, que tenho pouquíssima familiaridade com tricô, consegui fazer. O coelhinho da minha filha foi feito durante uma oficina dada na escola e será entregue em uma caçada ao coelho, que será feita um dia depois da Páscoa lá na escola.

Abaixo eu coloquei um tutorial, com imagens retiradas do postris.com, já que minhas fotos não ficaram muito boas.

 

coelhinho de trico.jpg

Outra atividade que as crianças adoram é a caça ao chocolate (ou coelhinho de lã). Essa brincadeira ficará muito mais divertida se for acompanhada da história do verdadeiro coelho da Páscoa, um conto russo, que divido com vocês:

Era uma vez um pai coelho de Páscoa e uma mãe coelha de Páscoa que tinham sete filhos. Ao aproximar-se a época da Páscoa, eles resolveram testar os coelhinhos para ver qual deles era o verdadeiro “coelho de Páscoa”.

A mãe pegou uma cesta com sete ovos e pediu para que cada filho escolhesse um para esconder.

O mais velho pegou o ovo dourado e saiu correndo por campos e montes até chegar ao portão da escola, mas deu então um salto tão grande e tão apressado que caiu de mau jeito quebrando o ovo. Esse não era o verdadeiro coelho de Páscoa.

O segundo escolheu o ovo prateado e pôs-se a caminho. Ao passar pelos campos encontrou a raposa. Esta queria comer o ovo e pediu-o ao Coelho. Ele não lhe quis dar. A raposa prometeu-lhe então uma moeda de ouro, conseguindo assim que o coelho a seguisse até sua toca. Chegando lá, a raposa escondeu o ovo e, com cara feia, mostrou os dentes como se quisesse comer o assustado coelhinho que saiu correndo o mais que pôde. Esse também não era o coelho de Páscoa.

O terceiro escolheu o ovo vermelho e pôs-se a caminho. Ao atravessar o campo encontrou-se com outro coelho e pensou: “Ainda tenho muito tempo. Vou lutar um pouco com ele”. Os dois coelhos lutaram e rolaram tanto pelo chão que amassaram o ovo. Também esse não era o verdadeiro coelho de Páscoa.

O quarto pegou o ovo verde e pôs-se a caminho. Quando passava pela floresta ouviu o chamado da Pega (1) que, pousada no galho de uma árvore, gritava: “Cuidado! A raposa vem vindo!”. O coelho assustado olhou à sua volta procurando um lugar para esconder o ovo.

– “Dá-me o ovo que eu o esconderei em meu ninho”, disse a Pega. O coelho deu-lhe o ovo mas, percebendo que não havia raposa alguma quis o ovo de volta. A Pega respondeu maldosamente: ”O ovo está muito bem guardado no meu ninho. Vem buscá-lo se quiseres”. Esse também não era o verdadeiro coelho de Páscoa.

O próximo escolheu o ovo cinzento. Quando ia andando pelo caminho chegou a um riacho. Ao passar pela ponte viu-se espelhado nas águas. Ficou tão encantado com sua própria imagem que se descuidou do ovo indo este se espatifar numa pedra. Esse também não era o coelho de Páscoa.

O outro coelhinho escolheu o ovo de chocolate e pôs-se a caminho. Encontrou-se com o esquilo que lhe pediu para dar uma lambida no ovo. – “Mas este ovo é para as crianças”, disse o coelho.

O esquilo insistiu tanto que o coelho deixou que ele desse uma lambida no ovo. O esquilo achou-o tão gostoso que o coelhinho resolveu dar também uma lambidinha. Lambida vai, lambida vem, os dois acabaram comendo o ovo. Esse também não era o coelho de Páscoa.

Chegou então a vez do mais jovem. Ele escolheu o ovo azul. Quando passou pelo campo, veio-lhe ao encontro a raposa, mas o coelho não entrou na conversa dela e continuou o seu caminho. Mais adiante encontrou o outro coelhinho que queria lutar com ele, mas ele não parou. Continuou caminhando até chegar à floresta. Ouviu os gritos da pega – “Cuidado! A raposa vem vindo!”. O coelho não se deixou enganar e continuou seu caminho. Chegou então ao riacho e cuidadosamente atravessou a ponte sem olhar para sua imagem refletida na água. Encontrou-se mais adiante com o esquilo mas não lhe permitiu lamber o ovo, pois este era para as crianças.

Chegou assim até o portão da escola. Deu um salto nem curto nem longo demais, chegando ao outro lado sem danificar o ovo. Procurou um esconderijo adequado no jardim da escola onde guardou cuidadosamente o ovo. Esse era o verdadeiro “Coelho de Páscoa”!*

(1) Ave que vive na Europa e que leva objetos cintilantes para seu ninho

*Fonte: Festas Cristãs

E você, tem alguma tradição diferente? Conte pra gente.
 

 

Documentário celebra o centenário da pedagogia Waldorf

Hoje eu gostaria de compartilhar com vocês um curto documentário sobre educação Waldorf em diferentes partes do globo. Embora não seja longo, é emocionante ver países tão distantes entre si como India, China, Brasil e Alemanha estão aplicando os mesmos princípios e ver como essa pedagogia está se espalhando rapidamente. Atualmente são mais de 1.000 escolas Waldorf e 1.700 jardins de infância Waldorf espalhados por 80 países.

O vídeo faz parte das comemorações pelo centenário da fundação da pedagogia Waldorf, que será oficialmente celebrado no dia 19/09/2019 ao redor do mundo.

Enjoy!!!

Documentário sobre pedagogia Waldorf

Como aplicar pedagogia Waldorf em casa

O acesso à  pedagogia Waldorf está crescendo no Brasil. Em 2016 haviam 95 escolas espalhadas por vários Estados, de acordo com o Instituto de Desenvolvimento Waldorf.

Apesar disso, esse número ainda é pequeno em função das dimensões continentais do nosso país e ao fato de estarem concentradas em poucas cidades. O custo das mensalidades, por sua vez, também pode ser considerado um entrave para muitas famílias.

Por isso hoje trouxe algumas dicas para aqueles que querem levar um pouco da prática pedagógica Waldorf para casa ou fortalecer o que já é aplicado nas escolas. Alguns dos tópicos abaixo já foram aprofundados em posts anteriores.

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Fonte: Wolfang Goebel, Michaela Glöcker – Consultório pediátrico: um conselheiro médico-pedagógico.

Férias de verão sem stress? É possível

As longas  férias de verão podem ser uma fonte de preocupação para os pais. O que fazer com as crianças durante tanto tempo? Será que elas vão ficar entediadas de estar em casa? Na ânsia de oferecer o melhor para os filhos, muitas vezes levamos estímulos demais, desnecessariamente.

Em vez de todos os dias oferecermos uma coisa diferente para fazer, é importante também deixar a criança em casa para que ela brinque sozinha, invente atividades com a sua imaginação. O estímulo em excesso faz com que ela perca a iniciativa própria, dependendo sempre de algo de fora para se divertir.

Uma das premissas da educação Waldorf é aprender pela ação e pela arte. Nada mais apropriado do que deixar que as crianças criem sua própria brincadeira. É surpreendente ver como elas se divertem com qualquer coisa. E quando evitamos dar brinquedos eletrônicos ou outro que tenha instruções rígidas a seguir, podemos ver a imaginação dos pequenos florescer.

O ritmo diário também é importante. Na medida do possível, devemos manter os horários das refeições, das brincadeiras e da hora de dormir. As crianças ficam mais relaxadas se elas conseguem antecipar o que vem em seguida. Quanto mais rítmica a vida da criança, melhor a sua saúde. Podemos aproveitar para incluí-las no ritmo diário da casa, como arrumar a mesa para as refeições ou ajudar na preparação de um prato, por exemplo.

Na hora de sair com os filhos, além de parques e clubes, a rede SESC oferece boas oportunidades nas férias. As diversas unidades espalhadas pelo país possuem brinquedotecas inspiradas na pedagogia Waldorf. São brinquedos de madeira, bonecos de pano sem feições definidas, tecidos e outros itens que permitem o livre brincar.

Acima de tudo, vale lembrar que a criança aprende por imitação. Então relaxamento, calma e paciência devem ser exercitados como um mantra nesse período. Boas férias!!!

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Resgate a magia do Natal

Steiner nos lembra como a celebração do Natal é diferente de todos os outros festivais.”O nascimento da luz será seguido pela vida na luz. Os cristãos não devem ver no festival de Natal algo que já passou. Não é um festival que comemora o que aconteceu no passado. A mensagem de Natal não disse ‘O Cristo nasceu’. Ela diz ‘Hoje Cristo nasceu’ Hoje é sempre enfatizado. Isso é significativo. A ênfase no hoje deve ser entendido no sentido em que Cristo afirmou ‘Eu estou com vocês sempre até o final dos dias’. Essa mensagem nos confronta novamente de maneiras diferente a cada ano e nos revela a conexão entre homem e os céus”

O mês de dezembro costuma ser o mais especial do ano para mim. A aproximação do Natal, as casas e as ruas enfeitadas me traz alegria e  inspira um sentimento interno de religiosidade e magia.  A lembrança de festas em família, com todos os parentes reunidos me traz uma nostalgia e um sentimento de que a vida pode ser muito boa.

Rudolf Steiner afirma que o Natal é o festival em que se comemora o mais poderoso impulso na evolução da humanidade.

Em uma palestra proferida em 1910, Steiner reflete sobre o sentimento do homem séculos atrás durante o período natalino e o que restava dele no início do século 20 por meio de comparações entre as ruas da Alemanha enfeitadas para o Natal com árvores e outras decorações e o trânsito frenético dos carros nas cidades. “De tudo o que o festival de Natal poderia fazer para aprofundar a natureza interior do homem basicamente não resta nada”, afirma. Já imaginou o que ele falaria se vivesse nos tempos atuais?

Segundo Steiner, no passado, a celebração do festival de Natal enchia o homem de esperança e alegria, com a certeza de pertencer a um ser espiritual que desceu dos céus e se uniu à Terra para que todos pudessem compartilhar seus poderes. “Por muitos séculos a celebração desse festival despertou no espírito dos homens a consciência de que a alma humana pode se sentir firmemente apoiada pelo poder espiritual que acabei de descrever e que todos os homens de boa vontade podem se juntar à serviço desse poder espiritual. E por isso podem também encontrar juntos maneiras corretas de viver na Terra, de modo que possam se considerar humanitariamente uns aos outros e amar-se uns aos outros o máximo possível”, explica Steiner.

Mas ainda que os tempos sejam outros e não tenhamos mais essa conexão tão estreita com a natureza e o plano espiritual, é possível resgatar a magia do Natal e viver esse momento de maneira mais espiritualizada por meio da celebração do Advento, que em 2016 inicia-se no dia 27 de novembro e vai até o dia 24 de dezembro.

Steiner nos lembra como a celebração do Natal é diferente de todos os outros festivais.”O nascimento da luz será seguido pela vida na luz. Os cristãos não devem ver no festival de Natal algo que já passou. Não é um festival que comemora o que aconteceu no passado. A mensagem de Natal não disse  ‘O Cristo nasceu’. Ela diz ‘Hoje Cristo nasceu’ Hoje é sempre enfatizado. Isso é significativo. A ênfase no hoje deve ser entendido no sentido em que Cristo afirmou ‘Eu estou com vocês sempre até o final dos dias’. Essa mensagem nos confronta novamente de maneiras diferente a cada ano e nos revela a conexão entre homem e os céus”, explicou. (do livro Sinais e Símbolos do Festival Cristão)

 

Esse período pode ainda mais mágico para as crianças, que guardarão para sempre os momentos de preparação para a chegada do grande dia, em que celebramos o nascimento do menino Jesus.

Algumas atividades que podemos fazer:

Coroa do Advento

A coroa do Advento é circular e pode ser feita com galhos e enfeitadas com sementes, flores e fitas. Nela adicionamos quatro velas que podem ser do mesmo tamanho ou de quatro cores diferentes: azul (representando o reino mineral), verde (representando o reino vegetal), amarela (representando o reino animal) e vermelha (representando o homem).

A cada domingo acendemos uma das velas na ordem correspondente, mas sem esquecer de acender a vela da semana anterior até que no último domingo todas estejam acesas. Em cada semana fazemos uma pequena cerimônia que pode ser cantar músicas de natal, ler um trecho da Bíblia ou outras histórias. Indico o livro “Advento”, de Georg Dreissig. Ele traz contos que narram a viagem de Maria e José à Belém e traz histórias dos quatro “reinos” para serem lidas a cada semana.

coroa-do-advento

Calendário do Advento

O Calendário do advento pode ser feito de diversas formas. A Espiral para marcar os dias que faltam para o advento é muito utilizado pelas escolas Waldorf do mundo inteiro. Pode ser uma folha de feltro com uma espiral desenhada com lã, por exemplo. Outras ideias podem ser uma guirlanda com caixas de fósforo encapadas para que as crianças tirem um presentinho relacionado com o período a cada dia, um caminho de estrelas a ser percorrido ou janelinhas que se abrem a cada dia para revelar uma estrela.

 

Presépio

A montagem do presépio pode ser uma das atividades mais significativas desse período. Abaixo trago um texto retirado da página Festas Cristãs, que traz magistralmente indicações do que fazer em cada semana:

1ª semana do Advento – Reino Mineral

Presépio: pano azul, Maria, Anjo, algumas estrelas,  e o caminho de velas (contar quantos dias exatos tem do primeiro domingo do advento até o dia 24. Nem sempre darão 24 dias! Coloque a quantidade certa de dias
Coroa de advento: velas de 4 cores – azul, vermelho, amarelo, verde

• Atividade com as crianças:  Fazer estrelas de papel de seda, palha, etc.
• Coroa do Advento: acender a vela azul
• Presépio:  ascender a primeira vela do caminho (cantar enquanto acende a vela)
contar uma história sobre o reino mineral
Maria caminha até a primeira vela do caminho
Cantar músicas da primeira semana
• abrir o Calendário do Advento
• colocar pedrinhas no presépio
• apagar as vela  (com apagador)
Os outros dias poderão repetir exatamente a mesma sequência (incluindo repetir a mesma história), ou ter uma celebração mais simples, apenas acendendo as velas do caminho enquanto canta “Advento… advento.. uma luz reluz….” abra o calendário do advento. Apague as velas.

Todos os elementos do Reino Mineral são bem vindos nesta semana: água, conchas, troncos de madeira, etc
(Não se esqueça que a Maria caminha todos os dias, mesmo que a celebração não seja feita todos juntos. Você poderá mover a Maria durante a celebração, com as crianças, ou a noite, sem que elas vejam )

2ª semana do Advento – Reino Vegetal

O Presépio amanhece com algumas plantas, musgos e mais estrelas.

• Atividade com as crianças:  plantar alguma flor (talvez rosinhas) ou fazer pão, biscoitos
• Coroa do Advento: acender a vela azul e a verde
• Presépio:  ascender até a oitava vela do caminho (cantar enquanto acende a vela)
contar uma história sobre o reino vegetal (sobre Rosas são bem adequadas)
Maria caminha
Cantar músicas da primeira e segunda semana
• abrir o Calendário do Advento
• colocar plantas, flores no presépio
• apagar as vela  (com apagador)

Nos outros dias, pode-se regar as plantas que foram plantadas, colher flores pelos caminhos para enfeitar o presépio.

3ª semana do Advento – Reino Animal

Presépio recebe: o estábulo, o boi , burrinho ao lado de Maria, mais estrelas

• Atividade com as crianças:  fazer borboletas de lãzinha, ou bichinhos de cera
• Coroa do Advento: acender a vela azul, a  verde  e a amarela
• Presépio:  ascender até a décima quinta vela do caminho (cantar enquanto acende a vela)
contar uma história sobre o reino animal (sobre o burrinho, é bem adequada)
Maria caminha
Cantar músicas da primeira, segunda e terceira semana
• abrir o Calendário do Advento
• apagar as vela  (com apagador)

Nos outros dias, colocar mais animaizinhos, ou insetos no presépio.

4ª semana do Advento – Reino Humano

Presépio recebe: José ao lado de Maria, Pastores dormindo com as ovelhas, próximos ao estábulo, mais estrelas

• Atividade com as crianças:  fazer vela, biscoitos confeitados
• Coroa do Advento: acender a vela azul, a verde, a amarela e a vermelha
• Presépio:  ascender até a vigésima segunda vela do caminho (cantar enquanto acende a vela)
contar uma história sobre o reino humano
Maria caminha
Cantar músicas da primeira, segunda, terceira e quarta semana
• abrir o Calendário do Advento
• apagar as vela  (com apagador)

Noite de Natal – 24/12

Chega a Árvore de Natal (pois também é dia de Adão e Eva) que as crianças podem ajudar a enfeitar. Além dos enfeites normais pode ter rosas, maçãs e símbolos dos planetas.

• acender as velas do caminho
• Maria anda mais e chega ao estábulo
• contar história do nascimento de Jesus
• cantar as músicas da Noite de Natal (Noite Feliz, Tocam os sinos…etc)
• colocar o menino Jesus
• cantar “Vinde pastores, alegres ver Jesus….” enquanto acorda os Pastores. Aproximá-los do estábulo, com suas ovelhas
• abrir o Calendário do Advento
• se houver troca de presentes pode ser feita agora
• as velas podem ficar acesas

Dia 25

• os pastores amanhecem se retirando do estábulo
• os Reis surgem em algum lugar distante na casa (canto da escada, sala, etc)
• contar histórias do nascimento de Jesus e suas visitas

– isso deve perdurar durante as 12 Noites Santas até dia de Reis. Podemos contar histórias dos reis a partir de 01/1.

Dia 06/01 – Dia de Reis

• Maria amanhece com o menino no colo, com uma coroa, algumas estrelas no manto. O estábulo pode ganhar uma cobertura de algum pano dourado.
• Os Reis chegam até o menino
• Contar uma história sobre os Reis

Dia 07/01

A pergunta é: como tudo desaparece no dia seguinte? Tira-se tudo ou há outra solução?
Uma vez perguntado isso para a Luiza Lameirão (Pedagoga, professora de Jardim de Infância Waldorf e responsável pela formação de Professores Waldorf no Brasil) ela disse que sim: no dia 07 de janeiro o presépio desaparece completamente, sem deixar vestígios.

E então, vamos levar um pouco de magia para nossas casas? Se vocês quiserem compartilhar a forma como vão comemorar o Advento ficarei muito feliz.

Você realmente está presente?

O cansaço das atividades diárias, a pressão pela rapidez e o stress não nos permite oferecer algo muito precioso: a nossa energia e carinho. Não bastar estar junto, cuidar e alimentar, é necessário estar realmente de corpo e alma durante o período que nos dedicamos aos nossos filhos para que eles também recebam alimento para o espírito.

Você já parou para pensar se está realmente “presente” enquanto executa alguma ação para a sua criança? Essa foi a pergunta que eu me fiz após ter participado de uma palestra com as autoras do livro “A arte de educar em família” Sandra Stirbulov e Roseimeire Laviano, que aborda a educação do ponto de vista da pedagogia Waldorf.

Ao final da palestra, elas propuseram um exercício simples, mas que nos fez entrar na pele de uma criança e observar sensações que quase nunca paramos para experimentar. Os participantes foram divididos em duplas e um deles assumiu o papel de pai ou mãe e o outro de filho. Na primeira parte da atividade, o adulto tinha que “lavar” a mão da criança sem prestar atenção nela. Precisávamos conversar o tempo todo em que executávamos a ação. Ao final desse exercício, o “filho” precisava falar o que sentiu. Muitos relataram um esvaziamento da região, enquanto quem realizou a atividade relatou cansaço nas mãos e nos braços.

Na segunda parte do exercício, os “pais” tinham que “lavar” novamente as mãos de seus “filhos”, mas dessa vez com uma postura diferente. Era necessário olhar nos olhos de quem estivesse recebendo o cuidado e conversar com ela.

Eu desempenhei o papel de mãe e posso dizer que a sensação foi completamente diferente. Enquanto na primeira tarefa meus braços doeram, na segunda não houve cansaço algum. Minhas mãos deslizavam lentamente sobre as mãos da pessoa que participava comigo, enquanto alegremente conversávamos olhando um nos olhos do outro.  Ao final da atividade, as pessoas que receberam  o cuidado foram convidadas a falar o que sentiram. Todas relataram que sentiram suas mãos “cheias” e quentes, além da sensação de bem estar.

Essas são as principais diferenças entre estar “presente” ou não quando cuidamos de nossas crianças. Quando apenas executamos mecanicamente as ações, não passamos nada de bom para nossos filhos. Ao contrário, deixamos uma sensação de vazio, mesmo que eles não saibam identificá-la.

Muitas vezes o cansaço das atividades diárias, a pressão pela rapidez e o stress não nos permite oferecer algo muito precioso: a nossa energia e carinho. Não bastar estar junto, cuidar e alimentar, é necessário estar realmente de corpo e alma durante o período que nos dedicamos aos nossos filhos para que eles também recebam alimento para o espírito.

Não vou entrar aqui no mérito do tempo de qualidade x quantidade. O que ficou pra mim, ao final desse exercício é que não importa apenas o tempo que passo com minha filha, mas como eu interajo com ela, nos momentos em que estamos fazendo algo juntas. Seja dando banho, comida ou brincando, reforcei a minha convicção de que é preciso olhar nos olhos e dedicar esses minutos realmente a ela. A troca de energia é incrível. O amor que recebo por meio de seu olhar e gestos acalenta o coração e me fortalece para as batalhas diárias.

Eu sei que às vezes tudo o que a gente quer é relaxar e não dar banho na criança ou parar para alimentá-la. Mas se nesses momentos conseguirmos deixar de lado as nossas tensões, preocupações, cansaço e o celular, veremos que nossa alma também será alimentada e recarregada.  Que tal fazer esse esforço hoje? Garanto que vale a pena.

 

A coragem do Arcanjo Micael para combater os dragões internos

O Arcanjo Micael é considerado o guardião da era atual. É ele que nos ensina a lutar, com coragem contra as tentações do mal. Ele é o príncipe dos Arcanjos. Ao qual se submetem todos os outros Arcanjos e suas legiões. Ergue-se como o defensor da consciência de Cristo em todos os filhos de Deus. Seu nome significa “Aquele que é semelhante a Deus”.

micael

No dia 29 de setembro comemoramos o dia do Arcanjo Micael.  Para as escolas Waldorf, essa é uma época muito importante e para contar um pouco sobre o significado dessa data, eu trago um texto escrito por Sônia Ruella, mantenedora da escola Waldorf Alecrim Dourado.

O Arcanjo Micael é considerado o guardião da era atual. É ele que nos ensina a lutar, com coragem contra as tentações do mal. Ele é o príncipe dos Arcanjos. Ao qual se submetem todos os outros Arcanjos e suas legiões. Ergue-se como o defensor da consciência de Cristo em todos os filhos de Deus. Seu nome significa “Aquele que é semelhante a Deus”.

Micael enviado a nós pelo Senhor, figura como um dos mais venerados anjos na Escritura e na tradição judaica, cristã e islâmica. No antigo testamento ele aparece como o guardião de Israel e é identificado na literatura mística como Jacó, conduziu Israel através do deserto , destruiu o exército de Senaqueribe e foi o inspirador de Joana D’arc. Poderoso ao lado do Senhor, o Arcanjo Micael é o defensor imparcial de todos os que abraçam a verdade e a justiça. (Josué 5, 13-15)

Em Apocalipse (12, 7-8) se fala do papel fundamental do Arcanjo Micael como defensor de Deus: “Houve uma batalha no céu. Micael teve de combater o Dragão e seus anhos. Estes combateram mas não prevaleceram e não houve lugar no céu para eles.”

COMEMORAR MICAEL?

Hoje em dia, podemos observar que o Dragão torna-se cada vez maior e mais forte em nós. Muitos são os perigos e obstáculos que a vida nos impõe e precisamos vigiar sempre para não “cairmos em tentação”.

É realmente muito simples apontar o mal como algo incontrolável e nos torna impotentes. Mas o bem e o mal não existem per si fora de nós.

O que nos torna impotentes é a nossa postura diante de nossa realidade interior. Vemos pelo texto “ O papel da imagem em nossa vida”, que desde pequenos nos deparamos com aquilo que não é próprio da natureza humana. Apenas com um pensar lúcido podemos transformar aquilo que constituirá física ou espiritualmente nossa individualidade. O que não nos serve, transforma-se em Dragão, capaz de nos consumir aos poucos e ao qual sucumbimos muitas vezes, por vários motivos.

Pra mim, os principais são a falta de consciência de que as escolhas são sempre nossas; a descrença na ajuda do plano espiritual; a falta de coragem para lidar com a própria liberdade; a inconsciência impedindo-nos de pensar lucidamente a dúvida de que o bem é sempre o melhor caminho e de que o amor, sempre venceu e vencerá quando cultivado.

Portanto, tudo que se nos apresenta deve ser transformado conscientemente tornando-se parte de nós. Assim, nós construímos homens ou dragões, graças a nós mesmos, lembrando que podemos contar com a ajuda do plano espiritual.

Dessa forma, faz sentido comemorar Micael. Não porque é época dele ou porque todas as escolas Waldorf comemoram, mas porque tudo o que ele representa reverbera como verdade dentro de nós. E a verdade deve ser lembrada!