Dicas para montar mesa de outono Waldorf

O início do outono traz uma excelente oportunidade de praticar em casa um hábito das escolas Waldorf: a elaboração da mesa de época, um cantinho da natureza em casa. Ao incorporar essa tradição, as crianças podem se conectar com a natureza e observar mais atentamente o seu ritmo, as suas mudanças e ciclos de transformação.

Embora as mesas possam ser mais ou menos elaboradas, elas precisam conter certos elementos. O Blog “Um encantado jardim”, traz uma explicação sobre como devemos montar esses espaços.

De acordo com a autora, as mesas de época são quadrimembradas no tempo e trimembradas no espaço. Na quadrimembração, vemos representadas as estações do ano. Na trimembração: céu, terra e homem.

O ser humano deve sempre estar presente na mesa, trabalhando, pescando, soltando pipa, dançando, rezando aos mortos, assistindo ao nascimento, etc. É nele que a criança espelha a sua humanidade. Fazendo companhia ao ser humano estão as plantas, os animais e os elementos da natureza em perfeita harmonia. Os objetos que o homem construiu com sua sabedoria também podem estar presentes. O ambiente onde o homem habita é sempre bom, sempre belo e sempre verdadeiro.

A minha mesa de outono será elaborada com a participação da minha filha de três anos. Vamos ao parque para recolher folhas, galhos e outros elementos que possam compor a nossa mesa.

É bom lembrar que a mesa de época não é um local para brincar, mas pode servir como inspiração para estórias, brincadeiras, meditação e para reverenciar a natureza. É importante que ela tenha um sentido para vocês, não apenas que seja feito simplesmente por ser uma tradição.

Abaixo eu coloco algumas fotos de mesas de época para nossa inspiração.

 

 

 

Crédito: blog The Magic Onions, Pinterest

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Atividades lúdicas para celebrar a Páscoa com as crianças

Na Páscoa, as escolas trabalham a transformação, a superação e a transcendência por meio de diversas atividades lúdicas que podemos também realizar em casa para introduzir o clima festivo em família.

Móbiles de ovos pintados
Painel feito com móbiles de ovos pintados por alunos na Escola Waldorf Alecrim Dourado em São Paulo

As festas e tradições cristãs são comemoradas e vivenciadas intensamente nas escolas Waldorf. Não somente a data é comemorada, mas há todo um trabalho de preparação para o momento que vai chegar.

Dessa forma, as crianças vão realizando lentamente, durante semanas, as ações relacionadas à determinada celebração, construindo memórias felizes que ficarão para sempre guardadas. As lembranças afetivas não são os únicos ganhos. Por serem cíclicas, as festas também ajudam a criar a noção de tempo para os pequenos.

Na Páscoa, as escolas trabalham a transformação, a superação e a transcendência por meio de diversas atividades lúdicas que podemos também realizar em casa para introduzir o clima festivo em família.

Uma atividade simples e bem bonita que pode ser feita com a criança, é colorir ovos de galinha para transformá-los em enfeites. Após eliminarmos todo o conteúdo dos ovos – fazendo dois furos nas extremidades e soprando em um deles – pode-se cobri-los com papel crepom molhado. Após alguns dias, o papel é retirado e os ovos ficam tingidos como uma pintura em aquarela. Esse final de semana, elaborei um móbile com os ovos preparados por minha filha.

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Fazer trabalhos manuais é um desafio pra mim

A mesa de época também é muito utilizada nas escolas Waldorf. Galhos, plantas e lagartas de pano, feltro ou lã, podem enfeitar a mesa de páscoa. Próximo à data, troca-se a lagarta por casulos (casquinhas) e após a Páscoa, coloca-se uma borboleta no lugar do casulo simbolizando a transformação.

Como esse ano a Páscoa coincide com o início do outono, é possível aproveitar a ocasião para criar a mesa de outono no mesmo espaço.

No domingo de Páscoa, vamos contar a estória do verdadeiro coelho de Páscoa e realizarmos uma busca aos ovos. Este ano, a Clara vai ganhar seu primeiro ovo de Páscoa após quase quatro anos de existência (Não consegui resistir). Será feito por mim e colocado em uma cesta de vime para que ela possa encontrá-lo.

Abaixo seguem alguns símbolos da Páscoa que podem ser trabalhados em uma mesa temática:

Coelho: o coelho dorme durante o dia e fica acordado à noite. É um animal muito fértil. É um símbolo lunar. Nos contos de fadas e nas lendas de muitos povos, a própria lua é , por isso, um coelho.

Cordeiro ou ovelha: devido a sua candura, é símbolo da mansidão e da pureza.

Ramos: galhos verdes simbolizam a honra e a imortalidade.

Ovo: é o germe da vida, símbolo da fecundidade. Uma vez chocado, é portador da nova vida.

Como usar as cores no desenvolvimento infantil

“Através das cores, as crianças podem pouco a pouco expressar sua vida de sentimentos e qualidades da alma. Reconhecer e expressar sentimentos é um longo aprendizado para a criança e tem início na primeira infância. ”

aquarela
Utilização de cores primárias em aquarela Waldorf

O post de hoje surgiu a partir da dúvida de uma leitora e me levou a importantes descobertas sobre a utilização das cores. Recentemente uma mãe me perguntou no blog o porquê de as crianças só utilizarem o azul, amarelo e vermelho no jardim de infância Waldorf.

Como não tinha uma resposta para isso, recorri aos livros para encontrá-la e acabei chegando a uma explicação muito profunda sobre o impacto das cores nas crianças e como devemos utilizá-las para o seu desenvolvimento.

A psicóloga Patrícia Gimael e a arte-educadora Selma de Aguiar, exploram muito bem o assunto no livro Infância Vivenciada, que aborda o dia a dia de uma escola Waldorf.

Elas afirmam que “Através das cores, as crianças podem pouco a pouco expressar sua vida de sentimentos e qualidades da alma. Reconhecer e expressar sentimentos é um longo aprendizado para a criança e tem início na primeira infância. ”

Esse contato com as cores deve ser feito de forma gradual, para que as crianças possam experimentar cada uma das tonalidades individualmente, sem pressa.

E o que cada uma dessas cores nos mostra?

Azul

“O Azul interioriza e ao mesmo tempo acalma, promovendo relaxamento e trazendo sensação de amplidão. ”

Amarelo

“A partir de um centro forte, o amarelo irradia para a periferia. Ele tende a se expandir, irradiar, trazer luz. Acordar. E quando faz isso é como se estivesse doando a si mesmo. É uma cor relacionada à criação. O amarelo se aproxima do azul e diz: “Ei acorde. Temos um trabalho a realizar” e conforme os raios de luz tocam e acordam o azul, surge, triunfante o verde, a vida, a seiva, o chão. ”

Verde

“O verde é firme, Denso, sustenta. ”

Vermelho

“O vermelho traz calor às outras cores. Não só calor, mas também alegria e entusiasmo. Como o sangue, o vermelho pulsa. É o senhor do ritmo (contrair, soltar). Representa também a vontade. ”

Combinando as cores:

“Onde o vermelho tocar o amarelo, surgirá o laranja. Onde o azul tocar o vermelho, surgirá o roxo ou lilás. Uma cor entra, a outra cor recebe. O encontro das cores é o caminho das descobertas feitas pela criança. Com essas vivências, a criança expressará tudo a partir do sentimento, descobrirá sempre novas possibilidades… Ela vivencia cor ao lado de cor, e faz uma importante descoberta:  a de como as cores se comportam. ”

A aquarela também possibilita desenvolver a disciplina, pois ensina que não se deve utilizar o pincel em outra cor sem antes limpá-lo. E  ajuda a desenvolver a sensibilidade, para interagir e conhecer no outro a expressão mais íntima e essencial.

Devemos, no entanto, deixar a criança livre para se expressar, sem tentar obrigá-la a desenhar formas definidas ou utilizar determinadas cores em funções específicas. Rudolf Steiner orienta para que se evite, tanto quanto possível, moldar a imaginação infantil em contornos rígidos e acabados.

“Fortaleceremos de maneira prática o desenvolvimento da própria vida quando sabemos que, nessa faixa etária, não são as capacidades de raciocínio, de agregar elementos ou de construir a partir dos átomos que precisam ser incentivada, mas a ativa imaginação infantil, que vive no interior da criança, força que se desprende do trabalho ágil e cheio de vida interior”, Rudolf Steiner.

Podemos utilizar essas dicas também em casa não só com a aquarela, mas também com giz de cera e ver desabrochar desenhos maravilhosos, frutos do puro fluir infantil. E apesar de parecerem apenas rabiscos hoje,  trarão memórias afetivas deliciosas no futuro.

E como estamos falando de cores, gostaria de deixar a dica de um livro muito bonito que fala exatamente sobre as características dessas cores citadas em uma estória simples, mas bem intensa. Chama-se a Rainha das Cores e foi escrito e ilustrado por Jutta Bauer.