Como lidar com o mau comportamento infantil?

 

Birra

Demonstrações de birras, comportamento agressivo,  provocações, são situações vividas por quase a totalidade dos pais de crianças pequenas em maior ou menor grau. Sem saber como lidar com isso, muitos recorrem aos famosos livros e programas das “super nannies”, com regras rígidas, seguem a cartilha ensinada pelos pais, que ensina a castigar como forma de ensinar, ou com medo de criar filhos traumatizados, deixam de tomar qualquer atitude. Qual seria, no entanto, a melhor forma de encarar esses momentos, que podem ser muito estressantes, de acordo com a pedagogia Waldorf?

Para Rudolf Steiner, o desenvolvimento de regras e teorias e a aplicação de reprimendas são ineficazes na primeira infância. Em vez de elaborarmos teses e manuais sobre a maneira como as crianças devem se comportar, precisamos prestar atenção no nosso comportamento perante elas. “Muitas pessoas perguntariam como a criança deveria se comportar, mas a Antroposofia diz que os adultos devem aprender como se comportar em frente da criança mesmo em palavras, atitudes e pensamentos. Crianças são mais receptivas em suas almas do que as pessoas pensam e certamente mais receptivas do que os adultos”, analisa Steiner.

Segundo ele, devemos prestar atenção em produzir um ambiente saudável para que a criança possa imitar. Isso porque as crianças até os sete anos, aprendem tudo por imitação e totalmente de acordo com o ambiente em que estão conectadas.

“Nós podemos formar a primeira fundação para a essência pessoal da criança, se, durante aos primeiros sete anos da infância vivemos o que a criança deve imitar, após ter concebido propriamente como devemos atuar na sua presença.  O que você faz em detalhe é menos importante do que a pessoa que você tenta se tornar e os pensamentos e ideias que você carrega”, ensina Steiner.

É claro que quando a criança está se jogando no chão porque quer algo que não pode ser dado ou deixando de fazer algo que está sendo pedido, muitas vezes a paciência se esgota rapidinho e tudo o que a gente quer é resolver a questão, nem que seja arrastando-a pelo braço. Há algum tempo, minha filha começou a dar tapas em mim e no meu marido quando enfrentava alguma situação de frustração. Ao conversar com a coordenadora da escola que ela frequenta, recebi uma dica que tento adaptar em todas as circunstâncias: a ressignificação do ato. O tapa passou a ser tratado como um carinho forte e ao perguntar – “ Você está fazendo um carinho forte na mamãe? ”, imediatamente eu a desarmava e já transformava a cena.

Atualmente isso não mais acontece, mas quando algum outro caso adverso aparece, como fazer uma careta na hora em que estou impedindo alguma travessura ou birras para tentar escapar do banho, eu procuro pensar em qual comportamento eu devo ter que a minha criança possa imitar. Isso norteia todo o meu agir em relação a ela e geralmente o que seria uma bronca vira uma brincadeira.

Steiner nos adverte que até mesmo os pensamentos que temos diante das crianças devem ser cuidados. “Não é suficiente esconder coisas das crianças, enquanto você se permite pensamentos que não são adequados a elas. Nós devemos ter e viver os pensamentos que consideramos que poderiam viver na criança. É desconfortável, mas ainda assim é verdade”, ensina.

Da próxima vez que eu tiver que avisar pela centésima vez que está na hora do banho, vou cuidar de pensar em uma música bem bonita para que eu não queira me arrancar os cabelos ou falar mentalmente coisas que não gostaria que ela escutasse.

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