Infância protegida gera adultos saudáveis

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A brincadeira com água remete a criança ao mar cósmico

 

A recomendação para que as crianças tenham uma infância livre, com muita brincadeira ao ar livre e atividades manuais já não é novidade. Seus benefícios para a socialização, a criatividade e a resolução de problemas tem sido há muito aclamados. Mas a Antroposofia vai mais longe. Afirma que a falta dos estímulos corretos e de um ambiente calmo pode fazer com que ao chegar à juventude, essa pessoa torne-se alguém que não encontre seu lugar no mundo.

O alerta é dado pelo professor Waldorf e escritor Daniel Udo de Haes (1899-1986). Segundo ele, a criança a partir dos três anos está em um estado que poderemos chamar de “anfíbio”, ou seja, podendo tal como o sapo, viver no seco (para a criança o mundo dos sentidos), mas podendo também, a cada instante, voltar a mergulhar na água (do espírito), necessitando manter a derme sempre “umidificada” por essa água do espírito, a fim de manter-se (espiritualmente) saudável, situação que vemos demonstrada no plano físico pelo sapo.

Esse período em que a criança se divide entre os dois mundos é considerado um dos mais importantes, pois permite que ela carregue no íntimo e abrigue aqui na Terra bens espirituais que poderão ser levados consigo pela vida toda. “Para que possamos tornar isso possível e não perturbemos o processo, precisamos aprender a compreender de que maneira a criança saudável, que ainda não foi “despertada” precocemente pelas circunstâncias da modernidade, tem a possibilidade de se entregar por completo às suas experiências que abrangem dois mundos” explica Haes.

Ele afirma ainda que a criança armazena esse conteúdo espiritual de forma inconsciente, guardando-o em forma de imagens que carregará consigo durante o seu crescimento. Só quando ela estiver madura é que esse material sairá do envoltório das imagens transformando-se em riqueza e força espiritual.

“Se a alma vai passar pela vida rica em forças ocultas ou em pobreza interior, depende em grande parte do fato de lhe terem sido oferecidos, na idade infantil, na fase de criança pequena, tanto a possibilidade quanto o sossego para encontrar nas imagens da terra que dela se aproximam a expressão da riqueza espiritual que trouxe consigo e, desse modo, ‘assimilá-las’. Poderá, dessa maneira, levá-las consigo na vida, sob essa configuração ou, caso contrário, a alma em sua mais tenra juventude estará rodeada por falsas imagens, sons virtuais como se apresentam atualmente diante das crianças na TV, no rádio, brinquedos inadequados, contos de fada sem conteúdo, assim como lendas enganosas, etc., em lugar de imagens verdadeiras, além de sofrer a separação precoce e muito rápida das suas ‘heranças celestes’”, ensina o autor.

Segundo Haes, “o futuro do ser humano ainda pequeno é determinado em grande parte pelos adultos que vivem ao seu redor e pelo meio ambiente que estes lhe oferecem. Dependerá das pessoas e do ambiente se elas terão, durante um longo e calmo ‘sonho infantil’ a possibilidade de entregar à encarnação terrestre os tesouros espirituais que trouxeram consigo ou se, já na juventude, perdendo seus bens cósmicos, caminharão pela vida como pessoas comuns, como pessoas esquisitas que, na realidade, não sabem o que querem”, explica.

Para Haes, o adulto precisa compreender o valor que essa fase da vida da criança pequena tem para toda a sua existência. E quando temos essa compreensão conseguimos entender que os contos de fadas, brincadeiras de roda, de massinha, com água, com terra, artesanato, lhe revelam algo do seu ser oculto.

Quando enxergamos na criança essa ambivalência do espiritual e terreno, conseguimos proteger essa vida em dois mundos e o que ela traz para auxiliá-la em sua caminhada terrena.

Esse papel não é apenas do Jardim de Infância. Embora as escolas Waldorf prezem por esse mundo da fantasia e dão total apoio para as crianças nessa fase, o lar em que ela está inserida também cumpre um papel primordial.  Veja aqui dicas de como aplicar a pedagogia Waldorf em casa. “Também em casa ela precisa processar a passagem do seu elevado reino de origem para a região da vida terrena de modo tranquilo, em total entrega. Somente quando o ambiente doméstico, dentro do qual a criança está crescendo, lhe oferece verdadeiro apoio e proteção nesse sentido, poderá o Jardim de Infância, se for também orientado do modo correto, ser plenamente para a criança pequena tudo aquilo que deria ser: a ponte dourada entre o céu e a terra”, conclui Haes.

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Como aplicar pedagogia Waldorf em casa

O acesso à  pedagogia Waldorf está crescendo no Brasil. Em 2016 haviam 95 escolas espalhadas por vários Estados, de acordo com o Instituto de Desenvolvimento Waldorf.

Apesar disso, esse número ainda é pequeno em função das dimensões continentais do nosso país e ao fato de estarem concentradas em poucas cidades. O custo das mensalidades, por sua vez, também pode ser considerado um entrave para muitas famílias.

Por isso hoje trouxe algumas dicas para aqueles que querem levar um pouco da prática pedagógica Waldorf para casa ou fortalecer o que já é aplicado nas escolas. Alguns dos tópicos abaixo já foram aprofundados em posts anteriores.

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Fonte: Wolfang Goebel, Michaela Glöcker – Consultório pediátrico: um conselheiro médico-pedagógico.

Resgate a magia do Natal

Steiner nos lembra como a celebração do Natal é diferente de todos os outros festivais.”O nascimento da luz será seguido pela vida na luz. Os cristãos não devem ver no festival de Natal algo que já passou. Não é um festival que comemora o que aconteceu no passado. A mensagem de Natal não disse ‘O Cristo nasceu’. Ela diz ‘Hoje Cristo nasceu’ Hoje é sempre enfatizado. Isso é significativo. A ênfase no hoje deve ser entendido no sentido em que Cristo afirmou ‘Eu estou com vocês sempre até o final dos dias’. Essa mensagem nos confronta novamente de maneiras diferente a cada ano e nos revela a conexão entre homem e os céus”

O mês de dezembro costuma ser o mais especial do ano para mim. A aproximação do Natal, as casas e as ruas enfeitadas me traz alegria e  inspira um sentimento interno de religiosidade e magia.  A lembrança de festas em família, com todos os parentes reunidos me traz uma nostalgia e um sentimento de que a vida pode ser muito boa.

Rudolf Steiner afirma que o Natal é o festival em que se comemora o mais poderoso impulso na evolução da humanidade.

Em uma palestra proferida em 1910, Steiner reflete sobre o sentimento do homem séculos atrás durante o período natalino e o que restava dele no início do século 20 por meio de comparações entre as ruas da Alemanha enfeitadas para o Natal com árvores e outras decorações e o trânsito frenético dos carros nas cidades. “De tudo o que o festival de Natal poderia fazer para aprofundar a natureza interior do homem basicamente não resta nada”, afirma. Já imaginou o que ele falaria se vivesse nos tempos atuais?

Segundo Steiner, no passado, a celebração do festival de Natal enchia o homem de esperança e alegria, com a certeza de pertencer a um ser espiritual que desceu dos céus e se uniu à Terra para que todos pudessem compartilhar seus poderes. “Por muitos séculos a celebração desse festival despertou no espírito dos homens a consciência de que a alma humana pode se sentir firmemente apoiada pelo poder espiritual que acabei de descrever e que todos os homens de boa vontade podem se juntar à serviço desse poder espiritual. E por isso podem também encontrar juntos maneiras corretas de viver na Terra, de modo que possam se considerar humanitariamente uns aos outros e amar-se uns aos outros o máximo possível”, explica Steiner.

Mas ainda que os tempos sejam outros e não tenhamos mais essa conexão tão estreita com a natureza e o plano espiritual, é possível resgatar a magia do Natal e viver esse momento de maneira mais espiritualizada por meio da celebração do Advento, que em 2016 inicia-se no dia 27 de novembro e vai até o dia 24 de dezembro.

Steiner nos lembra como a celebração do Natal é diferente de todos os outros festivais.”O nascimento da luz será seguido pela vida na luz. Os cristãos não devem ver no festival de Natal algo que já passou. Não é um festival que comemora o que aconteceu no passado. A mensagem de Natal não disse  ‘O Cristo nasceu’. Ela diz ‘Hoje Cristo nasceu’ Hoje é sempre enfatizado. Isso é significativo. A ênfase no hoje deve ser entendido no sentido em que Cristo afirmou ‘Eu estou com vocês sempre até o final dos dias’. Essa mensagem nos confronta novamente de maneiras diferente a cada ano e nos revela a conexão entre homem e os céus”, explicou. (do livro Sinais e Símbolos do Festival Cristão)

 

Esse período pode ainda mais mágico para as crianças, que guardarão para sempre os momentos de preparação para a chegada do grande dia, em que celebramos o nascimento do menino Jesus.

Algumas atividades que podemos fazer:

Coroa do Advento

A coroa do Advento é circular e pode ser feita com galhos e enfeitadas com sementes, flores e fitas. Nela adicionamos quatro velas que podem ser do mesmo tamanho ou de quatro cores diferentes: azul (representando o reino mineral), verde (representando o reino vegetal), amarela (representando o reino animal) e vermelha (representando o homem).

A cada domingo acendemos uma das velas na ordem correspondente, mas sem esquecer de acender a vela da semana anterior até que no último domingo todas estejam acesas. Em cada semana fazemos uma pequena cerimônia que pode ser cantar músicas de natal, ler um trecho da Bíblia ou outras histórias. Indico o livro “Advento”, de Georg Dreissig. Ele traz contos que narram a viagem de Maria e José à Belém e traz histórias dos quatro “reinos” para serem lidas a cada semana.

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Calendário do Advento

O Calendário do advento pode ser feito de diversas formas. A Espiral para marcar os dias que faltam para o advento é muito utilizado pelas escolas Waldorf do mundo inteiro. Pode ser uma folha de feltro com uma espiral desenhada com lã, por exemplo. Outras ideias podem ser uma guirlanda com caixas de fósforo encapadas para que as crianças tirem um presentinho relacionado com o período a cada dia, um caminho de estrelas a ser percorrido ou janelinhas que se abrem a cada dia para revelar uma estrela.

 

Presépio

A montagem do presépio pode ser uma das atividades mais significativas desse período. Abaixo trago um texto retirado da página Festas Cristãs, que traz magistralmente indicações do que fazer em cada semana:

1ª semana do Advento – Reino Mineral

Presépio: pano azul, Maria, Anjo, algumas estrelas,  e o caminho de velas (contar quantos dias exatos tem do primeiro domingo do advento até o dia 24. Nem sempre darão 24 dias! Coloque a quantidade certa de dias
Coroa de advento: velas de 4 cores – azul, vermelho, amarelo, verde

• Atividade com as crianças:  Fazer estrelas de papel de seda, palha, etc.
• Coroa do Advento: acender a vela azul
• Presépio:  ascender a primeira vela do caminho (cantar enquanto acende a vela)
contar uma história sobre o reino mineral
Maria caminha até a primeira vela do caminho
Cantar músicas da primeira semana
• abrir o Calendário do Advento
• colocar pedrinhas no presépio
• apagar as vela  (com apagador)
Os outros dias poderão repetir exatamente a mesma sequência (incluindo repetir a mesma história), ou ter uma celebração mais simples, apenas acendendo as velas do caminho enquanto canta “Advento… advento.. uma luz reluz….” abra o calendário do advento. Apague as velas.

Todos os elementos do Reino Mineral são bem vindos nesta semana: água, conchas, troncos de madeira, etc
(Não se esqueça que a Maria caminha todos os dias, mesmo que a celebração não seja feita todos juntos. Você poderá mover a Maria durante a celebração, com as crianças, ou a noite, sem que elas vejam )

2ª semana do Advento – Reino Vegetal

O Presépio amanhece com algumas plantas, musgos e mais estrelas.

• Atividade com as crianças:  plantar alguma flor (talvez rosinhas) ou fazer pão, biscoitos
• Coroa do Advento: acender a vela azul e a verde
• Presépio:  ascender até a oitava vela do caminho (cantar enquanto acende a vela)
contar uma história sobre o reino vegetal (sobre Rosas são bem adequadas)
Maria caminha
Cantar músicas da primeira e segunda semana
• abrir o Calendário do Advento
• colocar plantas, flores no presépio
• apagar as velas  (com apagador)

Nos outros dias, pode-se regar as plantas que foram plantadas, colher flores pelos caminhos para enfeitar o presépio.

3ª semana do Advento – Reino Animal

Presépio recebe: o estábulo, o boi , burrinho ao lado de Maria, mais estrelas

• Atividade com as crianças:  fazer borboletas de lãzinha, ou bichinhos de cera
• Coroa do Advento: acender a vela azul, a  verde  e a amarela
• Presépio:  ascender até a décima quinta vela do caminho (cantar enquanto acende a vela)
contar uma história sobre o reino animal (sobre o burrinho, é bem adequada)
Maria caminha
Cantar músicas da primeira, segunda e terceira semana
• abrir o Calendário do Advento
• apagar as velas  (com apagador)

Nos outros dias, colocar mais animaizinhos, ou insetos no presépio.

4ª semana do Advento – Reino Humano

Presépio recebe: José ao lado de Maria, Pastores dormindo com as ovelhas, próximos ao estábulo, mais estrelas

• Atividade com as crianças:  fazer vela, biscoitos confeitados
• Coroa do Advento: acender a vela azul, a verde, a amarela e a vermelha
• Presépio:  ascender até a vigésima segunda vela do caminho (cantar enquanto acende a vela)
contar uma história sobre o reino humano
Maria caminha
Cantar músicas da primeira, segunda, terceira e quarta semana
• abrir o Calendário do Advento
• apagar as velas  (com apagador)

Noite de Natal – 24/12

Chega a Árvore de Natal (pois também é dia de Adão e Eva) que as crianças podem ajudar a enfeitar. Além dos enfeites normais pode ter rosas, maçãs e símbolos dos planetas.

• acender as velas do caminho
• Maria anda mais e chega ao estábulo
• contar história do nascimento de Jesus
• cantar as músicas da Noite de Natal (Noite Feliz, Tocam os sinos…etc)
• colocar o menino Jesus
• cantar “Vinde pastores, alegres ver Jesus….” enquanto acorda os Pastores. Aproximá-los do estábulo, com suas ovelhas
• abrir o Calendário do Advento
• se houver troca de presentes pode ser feita agora
• as velas podem ficar acesas

Dia 25

• os pastores amanhecem se retirando do estábulo
• os Reis surgem em algum lugar distante na casa (canto da escada, sala, etc)
• contar histórias do nascimento de Jesus e suas visitas

– isso deve perdurar durante as 12 Noites Santas até dia de Reis. Podemos contar histórias dos reis a partir de 01/1.

Dia 06/01 – Dia de Reis

• Maria amanhece com o menino no colo, com uma coroa, algumas estrelas no manto. O estábulo pode ganhar uma cobertura de algum pano dourado.
• Os Reis chegam até o menino
• Contar uma história sobre os Reis

Dia 07/01

A pergunta é: como tudo desaparece no dia seguinte? Tira-se tudo ou há outra solução?
Uma vez perguntado isso para a Luiza Lameirão (Pedagoga, professora de Jardim de Infância Waldorf e responsável pela formação de Professores Waldorf no Brasil) ela disse que sim: no dia 07 de janeiro o presépio desaparece completamente, sem deixar vestígios.

E então, vamos levar um pouco de magia para nossas casas? Se vocês quiserem compartilhar a forma como vão comemorar o Advento ficarei muito feliz.

Você realmente está presente?

O cansaço das atividades diárias, a pressão pela rapidez e o stress não nos permite oferecer algo muito precioso: a nossa energia e carinho. Não bastar estar junto, cuidar e alimentar, é necessário estar realmente de corpo e alma durante o período que nos dedicamos aos nossos filhos para que eles também recebam alimento para o espírito.

Você já parou para pensar se está realmente “presente” enquanto executa alguma ação para a sua criança? Essa foi a pergunta que eu me fiz após ter participado de uma palestra com as autoras do livro “A arte de educar em família” Sandra Stirbulov e Roseimeire Laviano, que aborda a educação do ponto de vista da pedagogia Waldorf.

Ao final da palestra, elas propuseram um exercício simples, mas que nos fez entrar na pele de uma criança e observar sensações que quase nunca paramos para experimentar. Os participantes foram divididos em duplas e um deles assumiu o papel de pai ou mãe e o outro de filho. Na primeira parte da atividade, o adulto tinha que “lavar” a mão da criança sem prestar atenção nela. Precisávamos conversar o tempo todo em que executávamos a ação. Ao final desse exercício, o “filho” precisava falar o que sentiu. Muitos relataram um esvaziamento da região, enquanto quem realizou a atividade relatou cansaço nas mãos e nos braços.

Na segunda parte do exercício, os “pais” tinham que “lavar” novamente as mãos de seus “filhos”, mas dessa vez com uma postura diferente. Era necessário olhar nos olhos de quem estivesse recebendo o cuidado e conversar com ela.

Eu desempenhei o papel de mãe e posso dizer que a sensação foi completamente diferente. Enquanto na primeira tarefa meus braços doeram, na segunda não houve cansaço algum. Minhas mãos deslizavam lentamente sobre as mãos da pessoa que participava comigo, enquanto alegremente conversávamos olhando um nos olhos do outro.  Ao final da atividade, as pessoas que receberam  o cuidado foram convidadas a falar o que sentiram. Todas relataram que sentiram suas mãos “cheias” e quentes, além da sensação de bem estar.

Essas são as principais diferenças entre estar “presente” ou não quando cuidamos de nossas crianças. Quando apenas executamos mecanicamente as ações, não passamos nada de bom para nossos filhos. Ao contrário, deixamos uma sensação de vazio, mesmo que eles não saibam identificá-la.

Muitas vezes o cansaço das atividades diárias, a pressão pela rapidez e o stress não nos permite oferecer algo muito precioso: a nossa energia e carinho. Não bastar estar junto, cuidar e alimentar, é necessário estar realmente de corpo e alma durante o período que nos dedicamos aos nossos filhos para que eles também recebam alimento para o espírito.

Não vou entrar aqui no mérito do tempo de qualidade x quantidade. O que ficou pra mim, ao final desse exercício é que não importa apenas o tempo que passo com minha filha, mas como eu interajo com ela, nos momentos em que estamos fazendo algo juntas. Seja dando banho, comida ou brincando, reforcei a minha convicção de que é preciso olhar nos olhos e dedicar esses minutos realmente a ela. A troca de energia é incrível. O amor que recebo por meio de seu olhar e gestos acalenta o coração e me fortalece para as batalhas diárias.

Eu sei que às vezes tudo o que a gente quer é relaxar e não dar banho na criança ou parar para alimentá-la. Mas se nesses momentos conseguirmos deixar de lado as nossas tensões, preocupações, cansaço e o celular, veremos que nossa alma também será alimentada e recarregada.  Que tal fazer esse esforço hoje? Garanto que vale a pena.

 

A coragem do Arcanjo Micael para combater os dragões internos

O Arcanjo Micael é considerado o guardião da era atual. É ele que nos ensina a lutar, com coragem contra as tentações do mal. Ele é o príncipe dos Arcanjos. Ao qual se submetem todos os outros Arcanjos e suas legiões. Ergue-se como o defensor da consciência de Cristo em todos os filhos de Deus. Seu nome significa “Aquele que é semelhante a Deus”.

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No dia 29 de setembro comemoramos o dia do Arcanjo Micael.  Para as escolas Waldorf, essa é uma época muito importante e para contar um pouco sobre o significado dessa data, eu trago um texto escrito por Sônia Ruella, mantenedora da escola Waldorf Alecrim Dourado.

O Arcanjo Micael é considerado o guardião da era atual. É ele que nos ensina a lutar, com coragem contra as tentações do mal. Ele é o príncipe dos Arcanjos. Ao qual se submetem todos os outros Arcanjos e suas legiões. Ergue-se como o defensor da consciência de Cristo em todos os filhos de Deus. Seu nome significa “Aquele que é semelhante a Deus”.

Micael enviado a nós pelo Senhor, figura como um dos mais venerados anjos na Escritura e na tradição judaica, cristã e islâmica. No antigo testamento ele aparece como o guardião de Israel e é identificado na literatura mística como Jacó, conduziu Israel através do deserto , destruiu o exército de Senaqueribe e foi o inspirador de Joana D’arc. Poderoso ao lado do Senhor, o Arcanjo Micael é o defensor imparcial de todos os que abraçam a verdade e a justiça. (Josué 5, 13-15)

Em Apocalipse (12, 7-8) se fala do papel fundamental do Arcanjo Micael como defensor de Deus: “Houve uma batalha no céu. Micael teve de combater o Dragão e seus anhos. Estes combateram mas não prevaleceram e não houve lugar no céu para eles.”

COMEMORAR MICAEL?

Hoje em dia, podemos observar que o Dragão torna-se cada vez maior e mais forte em nós. Muitos são os perigos e obstáculos que a vida nos impõe e precisamos vigiar sempre para não “cairmos em tentação”.

É realmente muito simples apontar o mal como algo incontrolável e nos torna impotentes. Mas o bem e o mal não existem per si fora de nós.

O que nos torna impotentes é a nossa postura diante de nossa realidade interior. Vemos pelo texto “ O papel da imagem em nossa vida”, que desde pequenos nos deparamos com aquilo que não é próprio da natureza humana. Apenas com um pensar lúcido podemos transformar aquilo que constituirá física ou espiritualmente nossa individualidade. O que não nos serve, transforma-se em Dragão, capaz de nos consumir aos poucos e ao qual sucumbimos muitas vezes, por vários motivos.

Pra mim, os principais são a falta de consciência de que as escolhas são sempre nossas; a descrença na ajuda do plano espiritual; a falta de coragem para lidar com a própria liberdade; a inconsciência impedindo-nos de pensar lucidamente a dúvida de que o bem é sempre o melhor caminho e de que o amor, sempre venceu e vencerá quando cultivado.

Portanto, tudo que se nos apresenta deve ser transformado conscientemente tornando-se parte de nós. Assim, nós construímos homens ou dragões, graças a nós mesmos, lembrando que podemos contar com a ajuda do plano espiritual.

Dessa forma, faz sentido comemorar Micael. Não porque é época dele ou porque todas as escolas Waldorf comemoram, mas porque tudo o que ele representa reverbera como verdade dentro de nós. E a verdade deve ser lembrada!

Julho chegou! Atividades para as férias

O post de hoje traz algumas dicas de atividades para as crianças do primeiro setênio, baseadas na pedagogia Waldorf, para fazer nas férias.

Embora sejam simples, muitas vezes esquecemos que as crianças não precisam de muito para ficarem felizes. Nós é que temos a mania de complicarmos as coisas.

Que tal colocar em prática algumas dessas atividades? Mesmo os mais crescidinhos se beneficiarão dessas brincadeiras. Para quem mora no Sul e Sudeste, uma recomendação: não deixe o frio espantar a vontade de sair de casa. É só colocar um agasalho bem quentinho e sair para apreciar as mudanças que a nova estação trouxe para o parque mais próximo.

Os assinantes da newsletter também vão receber um guia com passo a passo de brincadeiras e dicas de locais para visitar em diversas cidades.

 

Práticas Waldorf para Férias

O Exército de crianças zumbis

“A criança precisa dormir tanto porque é, em sua totalidade, um órgão sensório e ainda não suporta o mundo com as suas impressões ofuscantes e sonoras. Assim como o olho se fecha para se proteger da luz ofuscante do sol, a criança, sendo toda ela um órgão sensório, precisa se isolar do mundo, ou seja, precisa dormir muito.” Rudolf Steiner

Sono

Uma das principais queixas recorrentes que ouço de amigos que são pais é em relação ao momento de acordar seus filhos. São relatos sobre crianças que acordam mal-humorados, sem energia, com dificuldade de levantar. Os escassos minutos entre o despertar e o momento de sair viram uma batalhar par conseguir fazê-los trocar de roupa e aprontar-se para a escola. Eu mesma vivencio essas cenas de comédia pastelão em que o momento idílico imaginado por mim transforma-se em uma corrida contra o tempo em que me transformo em uma desesperada para conseguir arrumar minha filha apressadamente antes de levá-la ao transporte escolar.

Mas nem sempre é assim. Percebo que quando permito que minha filha tenha longas horas de sono, toda a rotina matinal é feita de forma agradável, tranquila, com sorrisos e tempo para uma rápida brincadeira, que pode ser cantar uma canção ou inventar uma estória rápida.

A privação de sono infantil tem sido cada vez mais comum nas famílias. Muitos vivem uma rotina atribulada, em que os pais chegam em casa tarde da noite para brincar com seus filhos. Distrações como jogos eletrônicos ou até mesmo o desenho da famosa porquinha que começa por volta das 20h30, são alguns dos motivos que fazem com que as crianças durmam cada vez mais tarde.

O que precisamos nos atentar é que o sono é vital para o desenvolvimento físico e espiritual de nossos filhos. De acordo com Rudolf Steiner, a criança precisa dormir longas horas porque até os sete anos ela é em sua totalidade um órgão sensório. “A criança precisa dormir tanto porque é, em sua totalidade, um órgão sensório e ainda não suporta o mundo com as suas impressões ofuscantes e sonoras. Assim como o olho se fecha para se proteger da luz ofuscante do sol, a criança, sendo toda ela um órgão sensório, precisa se isolar do mundo, ou seja, precisa dormir muito.”

E quantas horas são o suficiente? Na opinião da educadora Waldorf e consultora do desenvolvimento infantil na primeira infância, Helle Heckmann, o mínimo são 12 horas por noite. Em entrevista à uma rádio americana, ela afirmou que essa é uma regra da qual não podemos prescindir. Para ela é preciso trazer de volta a simplicidade, o senso comum. Segundo ela, coisas simples como fazer com que as crianças se movimentem, corram, fazem com que as crianças tenham sono à noite. Todos nós temos exemplos de noites em que nossos filhos simplesmente desmontaram após um dia repleto de brincadeiras físicas. Helle detalha mais o assunto em seu livro “The Five Golden Keys”Link para loja virtual de Helle Heckmann

Para ajudar no processo de fazer com que nossos filhos durmam as 12 horas necessárias para o seu bom desenvolvimento, a educadora Caroline Von Heydebrand, autora do livro “A Natureza anímica da criança”, recomenda instituirmos um ritmo diário em nossa rotina, que inclui o ritual para dormir. Ela afirma “O que as conduz de maneira sadia e digna ao portal do sono são contos, lendas, uma estória contemplativa, mas não moralizante, uma canção, uma melodia tranquila, um verso tendo o caráter de uma oração que liga a alma da criança com os seres divinos. Há crianças com as quais convém fazer uma retrospectiva sobre os atos e fatos do dia findo – sem moralizar, as com serenidade e simpatia para com tudo o que nesse dia foi ou não alcançado. ”

O ritmo diário de fazer as mesmas atividades sempre na mesma hora traz calma para a criança e a prepara para o que vem em seguida. “Reviver permite o aprofundamento das emoções ao mesmo tempo em que possibilita a criança antever a experiência, deixando-a mais segura e tranquila”, explica Caroline.

Qual é o seu ritual para colocar seu filho para dormir? Adoraria conhecê-los.