Resgate a magia do Natal

Steiner nos lembra como a celebração do Natal é diferente de todos os outros festivais.”O nascimento da luz será seguido pela vida na luz. Os cristãos não devem ver no festival de Natal algo que já passou. Não é um festival que comemora o que aconteceu no passado. A mensagem de Natal não disse ‘O Cristo nasceu’. Ela diz ‘Hoje Cristo nasceu’ Hoje é sempre enfatizado. Isso é significativo. A ênfase no hoje deve ser entendido no sentido em que Cristo afirmou ‘Eu estou com vocês sempre até o final dos dias’. Essa mensagem nos confronta novamente de maneiras diferente a cada ano e nos revela a conexão entre homem e os céus”

Anúncios

O mês de dezembro costuma ser o mais especial do ano para mim. A aproximação do Natal, as casas e as ruas enfeitadas me traz alegria e  inspira um sentimento interno de religiosidade e magia.  A lembrança de festas em família, com todos os parentes reunidos me traz uma nostalgia e um sentimento de que a vida pode ser muito boa.

Rudolf Steiner afirma que o Natal é o festival em que se comemora o mais poderoso impulso na evolução da humanidade.

Em uma palestra proferida em 1910, Steiner reflete sobre o sentimento do homem séculos atrás durante o período natalino e o que restava dele no início do século 20 por meio de comparações entre as ruas da Alemanha enfeitadas para o Natal com árvores e outras decorações e o trânsito frenético dos carros nas cidades. “De tudo o que o festival de Natal poderia fazer para aprofundar a natureza interior do homem basicamente não resta nada”, afirma. Já imaginou o que ele falaria se vivesse nos tempos atuais?

Segundo Steiner, no passado, a celebração do festival de Natal enchia o homem de esperança e alegria, com a certeza de pertencer a um ser espiritual que desceu dos céus e se uniu à Terra para que todos pudessem compartilhar seus poderes. “Por muitos séculos a celebração desse festival despertou no espírito dos homens a consciência de que a alma humana pode se sentir firmemente apoiada pelo poder espiritual que acabei de descrever e que todos os homens de boa vontade podem se juntar à serviço desse poder espiritual. E por isso podem também encontrar juntos maneiras corretas de viver na Terra, de modo que possam se considerar humanitariamente uns aos outros e amar-se uns aos outros o máximo possível”, explica Steiner.

Mas ainda que os tempos sejam outros e não tenhamos mais essa conexão tão estreita com a natureza e o plano espiritual, é possível resgatar a magia do Natal e viver esse momento de maneira mais espiritualizada por meio da celebração do Advento, que em 2016 inicia-se no dia 27 de novembro e vai até o dia 24 de dezembro.

Steiner nos lembra como a celebração do Natal é diferente de todos os outros festivais.”O nascimento da luz será seguido pela vida na luz. Os cristãos não devem ver no festival de Natal algo que já passou. Não é um festival que comemora o que aconteceu no passado. A mensagem de Natal não disse  ‘O Cristo nasceu’. Ela diz ‘Hoje Cristo nasceu’ Hoje é sempre enfatizado. Isso é significativo. A ênfase no hoje deve ser entendido no sentido em que Cristo afirmou ‘Eu estou com vocês sempre até o final dos dias’. Essa mensagem nos confronta novamente de maneiras diferente a cada ano e nos revela a conexão entre homem e os céus”, explicou. (do livro Sinais e Símbolos do Festival Cristão)

 

Esse período pode ainda mais mágico para as crianças, que guardarão para sempre os momentos de preparação para a chegada do grande dia, em que celebramos o nascimento do menino Jesus.

Algumas atividades que podemos fazer:

Coroa do Advento

A coroa do Advento é circular e pode ser feita com galhos e enfeitadas com sementes, flores e fitas. Nela adicionamos quatro velas que podem ser do mesmo tamanho ou de quatro cores diferentes: azul (representando o reino mineral), verde (representando o reino vegetal), amarela (representando o reino animal) e vermelha (representando o homem).

A cada domingo acendemos uma das velas na ordem correspondente, mas sem esquecer de acender a vela da semana anterior até que no último domingo todas estejam acesas. Em cada semana fazemos uma pequena cerimônia que pode ser cantar músicas de natal, ler um trecho da Bíblia ou outras histórias. Indico o livro “Advento”, de Georg Dreissig. Ele traz contos que narram a viagem de Maria e José à Belém e traz histórias dos quatro “reinos” para serem lidas a cada semana.

coroa-do-advento

Calendário do Advento

O Calendário do advento pode ser feito de diversas formas. A Espiral para marcar os dias que faltam para o advento é muito utilizado pelas escolas Waldorf do mundo inteiro. Pode ser uma folha de feltro com uma espiral desenhada com lã, por exemplo. Outras ideias podem ser uma guirlanda com caixas de fósforo encapadas para que as crianças tirem um presentinho relacionado com o período a cada dia, um caminho de estrelas a ser percorrido ou janelinhas que se abrem a cada dia para revelar uma estrela.

 

Presépio

A montagem do presépio pode ser uma das atividades mais significativas desse período. Abaixo trago um texto retirado da página Festas Cristãs, que traz magistralmente indicações do que fazer em cada semana:

1ª semana do Advento – Reino Mineral

Presépio: pano azul, Maria, Anjo, algumas estrelas,  e o caminho de velas (contar quantos dias exatos tem do primeiro domingo do advento até o dia 24. Nem sempre darão 24 dias! Coloque a quantidade certa de dias
Coroa de advento: velas de 4 cores – azul, vermelho, amarelo, verde

• Atividade com as crianças:  Fazer estrelas de papel de seda, palha, etc.
• Coroa do Advento: acender a vela azul
• Presépio:  ascender a primeira vela do caminho (cantar enquanto acende a vela)
contar uma história sobre o reino mineral
Maria caminha até a primeira vela do caminho
Cantar músicas da primeira semana
• abrir o Calendário do Advento
• colocar pedrinhas no presépio
• apagar as vela  (com apagador)
Os outros dias poderão repetir exatamente a mesma sequência (incluindo repetir a mesma história), ou ter uma celebração mais simples, apenas acendendo as velas do caminho enquanto canta “Advento… advento.. uma luz reluz….” abra o calendário do advento. Apague as velas.

Todos os elementos do Reino Mineral são bem vindos nesta semana: água, conchas, troncos de madeira, etc
(Não se esqueça que a Maria caminha todos os dias, mesmo que a celebração não seja feita todos juntos. Você poderá mover a Maria durante a celebração, com as crianças, ou a noite, sem que elas vejam )

2ª semana do Advento – Reino Vegetal

O Presépio amanhece com algumas plantas, musgos e mais estrelas.

• Atividade com as crianças:  plantar alguma flor (talvez rosinhas) ou fazer pão, biscoitos
• Coroa do Advento: acender a vela azul e a verde
• Presépio:  ascender até a oitava vela do caminho (cantar enquanto acende a vela)
contar uma história sobre o reino vegetal (sobre Rosas são bem adequadas)
Maria caminha
Cantar músicas da primeira e segunda semana
• abrir o Calendário do Advento
• colocar plantas, flores no presépio
• apagar as velas  (com apagador)

Nos outros dias, pode-se regar as plantas que foram plantadas, colher flores pelos caminhos para enfeitar o presépio.

3ª semana do Advento – Reino Animal

Presépio recebe: o estábulo, o boi , burrinho ao lado de Maria, mais estrelas

• Atividade com as crianças:  fazer borboletas de lãzinha, ou bichinhos de cera
• Coroa do Advento: acender a vela azul, a  verde  e a amarela
• Presépio:  ascender até a décima quinta vela do caminho (cantar enquanto acende a vela)
contar uma história sobre o reino animal (sobre o burrinho, é bem adequada)
Maria caminha
Cantar músicas da primeira, segunda e terceira semana
• abrir o Calendário do Advento
• apagar as velas  (com apagador)

Nos outros dias, colocar mais animaizinhos, ou insetos no presépio.

4ª semana do Advento – Reino Humano

Presépio recebe: José ao lado de Maria, Pastores dormindo com as ovelhas, próximos ao estábulo, mais estrelas

• Atividade com as crianças:  fazer vela, biscoitos confeitados
• Coroa do Advento: acender a vela azul, a verde, a amarela e a vermelha
• Presépio:  ascender até a vigésima segunda vela do caminho (cantar enquanto acende a vela)
contar uma história sobre o reino humano
Maria caminha
Cantar músicas da primeira, segunda, terceira e quarta semana
• abrir o Calendário do Advento
• apagar as velas  (com apagador)

Noite de Natal – 24/12

Chega a Árvore de Natal (pois também é dia de Adão e Eva) que as crianças podem ajudar a enfeitar. Além dos enfeites normais pode ter rosas, maçãs e símbolos dos planetas.

• acender as velas do caminho
• Maria anda mais e chega ao estábulo
• contar história do nascimento de Jesus
• cantar as músicas da Noite de Natal (Noite Feliz, Tocam os sinos…etc)
• colocar o menino Jesus
• cantar “Vinde pastores, alegres ver Jesus….” enquanto acorda os Pastores. Aproximá-los do estábulo, com suas ovelhas
• abrir o Calendário do Advento
• se houver troca de presentes pode ser feita agora
• as velas podem ficar acesas

Dia 25

• os pastores amanhecem se retirando do estábulo
• os Reis surgem em algum lugar distante na casa (canto da escada, sala, etc)
• contar histórias do nascimento de Jesus e suas visitas

– isso deve perdurar durante as 12 Noites Santas até dia de Reis. Podemos contar histórias dos reis a partir de 01/1.

Dia 06/01 – Dia de Reis

• Maria amanhece com o menino no colo, com uma coroa, algumas estrelas no manto. O estábulo pode ganhar uma cobertura de algum pano dourado.
• Os Reis chegam até o menino
• Contar uma história sobre os Reis

Dia 07/01

A pergunta é: como tudo desaparece no dia seguinte? Tira-se tudo ou há outra solução?
Uma vez perguntado isso para a Luiza Lameirão (Pedagoga, professora de Jardim de Infância Waldorf e responsável pela formação de Professores Waldorf no Brasil) ela disse que sim: no dia 07 de janeiro o presépio desaparece completamente, sem deixar vestígios.

E então, vamos levar um pouco de magia para nossas casas? Se vocês quiserem compartilhar a forma como vão comemorar o Advento ficarei muito feliz.

Você realmente está presente?

O cansaço das atividades diárias, a pressão pela rapidez e o stress não nos permite oferecer algo muito precioso: a nossa energia e carinho. Não bastar estar junto, cuidar e alimentar, é necessário estar realmente de corpo e alma durante o período que nos dedicamos aos nossos filhos para que eles também recebam alimento para o espírito.

Você já parou para pensar se está realmente “presente” enquanto executa alguma ação para a sua criança? Essa foi a pergunta que eu me fiz após ter participado de uma palestra com as autoras do livro “A arte de educar em família” Sandra Stirbulov e Roseimeire Laviano, que aborda a educação do ponto de vista da pedagogia Waldorf.

Ao final da palestra, elas propuseram um exercício simples, mas que nos fez entrar na pele de uma criança e observar sensações que quase nunca paramos para experimentar. Os participantes foram divididos em duplas e um deles assumiu o papel de pai ou mãe e o outro de filho. Na primeira parte da atividade, o adulto tinha que “lavar” a mão da criança sem prestar atenção nela. Precisávamos conversar o tempo todo em que executávamos a ação. Ao final desse exercício, o “filho” precisava falar o que sentiu. Muitos relataram um esvaziamento da região, enquanto quem realizou a atividade relatou cansaço nas mãos e nos braços.

Na segunda parte do exercício, os “pais” tinham que “lavar” novamente as mãos de seus “filhos”, mas dessa vez com uma postura diferente. Era necessário olhar nos olhos de quem estivesse recebendo o cuidado e conversar com ela.

Eu desempenhei o papel de mãe e posso dizer que a sensação foi completamente diferente. Enquanto na primeira tarefa meus braços doeram, na segunda não houve cansaço algum. Minhas mãos deslizavam lentamente sobre as mãos da pessoa que participava comigo, enquanto alegremente conversávamos olhando um nos olhos do outro.  Ao final da atividade, as pessoas que receberam  o cuidado foram convidadas a falar o que sentiram. Todas relataram que sentiram suas mãos “cheias” e quentes, além da sensação de bem estar.

Essas são as principais diferenças entre estar “presente” ou não quando cuidamos de nossas crianças. Quando apenas executamos mecanicamente as ações, não passamos nada de bom para nossos filhos. Ao contrário, deixamos uma sensação de vazio, mesmo que eles não saibam identificá-la.

Muitas vezes o cansaço das atividades diárias, a pressão pela rapidez e o stress não nos permite oferecer algo muito precioso: a nossa energia e carinho. Não bastar estar junto, cuidar e alimentar, é necessário estar realmente de corpo e alma durante o período que nos dedicamos aos nossos filhos para que eles também recebam alimento para o espírito.

Não vou entrar aqui no mérito do tempo de qualidade x quantidade. O que ficou pra mim, ao final desse exercício é que não importa apenas o tempo que passo com minha filha, mas como eu interajo com ela, nos momentos em que estamos fazendo algo juntas. Seja dando banho, comida ou brincando, reforcei a minha convicção de que é preciso olhar nos olhos e dedicar esses minutos realmente a ela. A troca de energia é incrível. O amor que recebo por meio de seu olhar e gestos acalenta o coração e me fortalece para as batalhas diárias.

Eu sei que às vezes tudo o que a gente quer é relaxar e não dar banho na criança ou parar para alimentá-la. Mas se nesses momentos conseguirmos deixar de lado as nossas tensões, preocupações, cansaço e o celular, veremos que nossa alma também será alimentada e recarregada.  Que tal fazer esse esforço hoje? Garanto que vale a pena.

 

A coragem do Arcanjo Micael para combater os dragões internos

O Arcanjo Micael é considerado o guardião da era atual. É ele que nos ensina a lutar, com coragem contra as tentações do mal. Ele é o príncipe dos Arcanjos. Ao qual se submetem todos os outros Arcanjos e suas legiões. Ergue-se como o defensor da consciência de Cristo em todos os filhos de Deus. Seu nome significa “Aquele que é semelhante a Deus”.

micael

No dia 29 de setembro comemoramos o dia do Arcanjo Micael.  Para as escolas Waldorf, essa é uma época muito importante e para contar um pouco sobre o significado dessa data, eu trago um texto escrito por Sônia Ruella, mantenedora da escola Waldorf Alecrim Dourado.

O Arcanjo Micael é considerado o guardião da era atual. É ele que nos ensina a lutar, com coragem contra as tentações do mal. Ele é o príncipe dos Arcanjos. Ao qual se submetem todos os outros Arcanjos e suas legiões. Ergue-se como o defensor da consciência de Cristo em todos os filhos de Deus. Seu nome significa “Aquele que é semelhante a Deus”.

Micael enviado a nós pelo Senhor, figura como um dos mais venerados anjos na Escritura e na tradição judaica, cristã e islâmica. No antigo testamento ele aparece como o guardião de Israel e é identificado na literatura mística como Jacó, conduziu Israel através do deserto , destruiu o exército de Senaqueribe e foi o inspirador de Joana D’arc. Poderoso ao lado do Senhor, o Arcanjo Micael é o defensor imparcial de todos os que abraçam a verdade e a justiça. (Josué 5, 13-15)

Em Apocalipse (12, 7-8) se fala do papel fundamental do Arcanjo Micael como defensor de Deus: “Houve uma batalha no céu. Micael teve de combater o Dragão e seus anhos. Estes combateram mas não prevaleceram e não houve lugar no céu para eles.”

COMEMORAR MICAEL?

Hoje em dia, podemos observar que o Dragão torna-se cada vez maior e mais forte em nós. Muitos são os perigos e obstáculos que a vida nos impõe e precisamos vigiar sempre para não “cairmos em tentação”.

É realmente muito simples apontar o mal como algo incontrolável e nos torna impotentes. Mas o bem e o mal não existem per si fora de nós.

O que nos torna impotentes é a nossa postura diante de nossa realidade interior. Vemos pelo texto “ O papel da imagem em nossa vida”, que desde pequenos nos deparamos com aquilo que não é próprio da natureza humana. Apenas com um pensar lúcido podemos transformar aquilo que constituirá física ou espiritualmente nossa individualidade. O que não nos serve, transforma-se em Dragão, capaz de nos consumir aos poucos e ao qual sucumbimos muitas vezes, por vários motivos.

Pra mim, os principais são a falta de consciência de que as escolhas são sempre nossas; a descrença na ajuda do plano espiritual; a falta de coragem para lidar com a própria liberdade; a inconsciência impedindo-nos de pensar lucidamente a dúvida de que o bem é sempre o melhor caminho e de que o amor, sempre venceu e vencerá quando cultivado.

Portanto, tudo que se nos apresenta deve ser transformado conscientemente tornando-se parte de nós. Assim, nós construímos homens ou dragões, graças a nós mesmos, lembrando que podemos contar com a ajuda do plano espiritual.

Dessa forma, faz sentido comemorar Micael. Não porque é época dele ou porque todas as escolas Waldorf comemoram, mas porque tudo o que ele representa reverbera como verdade dentro de nós. E a verdade deve ser lembrada!

Vamos celebrar a primavera

A primavera é umas das estações mais esperadas do ano. Após o período de frio e encolhimento (para aqueles que vivem nas regiões mais frias), chega a hora de guardarmos os casacos e admirarmos a natureza, que vai renascendo e florescendo, preparando-nos para os dias mais quentes e longos.

Nas escolas Waldorf, a época de primavera é trabalhada de diferentes formas. As crianças cantam músicas especiais e participam de um lindo encontro com as famílias para celebrar o novo período, com canções e piquenique. Ao vivenciar a mudança das estações do ano, estamos ensinando ritmo e constância para os alunos, dando segurança e permitindo que eles notem a passagem do tempo, ainda que não consigam expressá-la.

Para Rudolf Steiner, os festivais são pontos nodais do ano que nos unem ao espírito do universo. E por que não levarmos esse clima também para a nossa casa? Podemos criar uma mesa de primavera, fazer aquarelas e recortá-las na forma de borboletas, criar um mini jardim em vasos e aproveitar o clima favorável para fazer atividades ao ar livre.

festival-da-primavera
Alunos da Escola Waldorf Alecrim Dourado se preparam para cantar no Festival da Primavera

As mesas de primavera podem ser mais ou menos elaboradas, mas precisam conter certos elementos que as caracterizam. O Blog “Um encantado jardim”, traz uma explicação sobre como devemos montar esses espaços.

De acordo com a autora, as mesas de época são quadrimembradas no tempo e trimembradas no espaço. Na quadrimembração, vemos representadas as estações do ano. Na trimembração: céu, terra e homem.

O ser humano deve sempre estar presente na mesa, trabalhando, pescando, soltando pipa, dançando, rezando aos mortos, assistindo ao nascimento, etc. É nele que a criança espelha a sua humanidade. Fazendo companhia ao ser humano estão as plantas, os animais e os elementos da natureza em perfeita harmonia. Os objetos que o homem construiu com sua sabedoria também podem estar presentes. O ambiente onde o homem habita é sempre bom, sempre belo e sempre verdadeiro.

Quem não quiser montar uma mesa completa, pode trazer elementos da natureza para casa. Um galho recolhido em um parque pode virar um belo enfeite de primavera se colocarmos alguns enfeites. Um vaso de flores já traz alegria para o ambiente.

O blog Twig and Toadstool apresentou uma atividade que eu achei incrível e muito fácil: um bracelete de flores feito de fita adesiva. Tenho certeza que as crianças irão adorar recolher flores caídas no chão para colocar em suas pulseiras.

E você qual ritual vai utilizar para celebrar a primavera? Conte-me, vou adorar saber.

Como utilizar a arte para transformar o mundo?

aquarela
*Pintura feita por aluna de escola Waldorf

As escolas Waldorf são reconhecidas por terem a arte e a estética como parte indissociável de sua pedagogia. Muitos chegam a acreditar erroneamente que a pedagogia forma “alunos artistas”. Mas qual seria a razão por trás disso? O que levou Rudolf Steiner a transformar a arte em um dos pilares mais importantes da educação?

Para descobrirmos é importante remontarmos ao período em que ela foi concebida. A pedagogia Waldorf foi criada logo após a primeira guerra mundial, quando uma Alemanha destroçada ansiava por transformações sociais e buscava reorganizar-se no meio do caos. Diversas correntes de pensamento e ideias de reforma surgiram nessa época.

Dentre aqueles que pensavam em soluções e novas maneiras de viver estavam Rudolf Steiner. Por meio de anos de pesquisa, Steiner chegou ao seu conceito chamado Trimembração do Organismo Social que consistia em um Estado cuja vida cultural seria livre de política, autoadministrada e autossustentada. A vida econômica seria baseada no princípio da associação fraterna e livre da influência política nacional ou internacional. O governo, por sua vez, seria autocontrolado e que poderia se rejuvenescer e auto reformar-se de acordo com a consciência da época.

Se essas ideias parecem avançadas, tão necessárias, mas praticamente impossíveis de serem implementadas nos dias atuais, imaginem há um século. Steiner chegou a apresentá-las para os governos da Alemanha e da Áustria em 1917 e não obteve resposta.

A partir daí ele percebeu que a mudança seria possível somente por meio da Educação. E a arte teria um papel fundamental para moldar o homem dessa nova sociedade. De acordo com Steiner, quando ampliamos apenas o intelecto, estamos direcionando o indivíduo para o materialismo.

“A sociedade verdadeiramente humana só pode ser o resultado do pleno desenvolvimento das capacidades de pensar, sentir e querer. Quando o pensamento é desenvolvido, torna-se possível perceber claramente as circunstâncias e imaginar de forma acurada as mudanças positivas. O correto desenvolvimento do sentir capacita as pessoas a perceber como unir a imaginação ao mundo exterior. A força de vontade desenvolvida garante a possibilidade de transformá-las em ações para o mundo. Somente dessa forma é possível desenvolver uma sociedade sadia”, ensina Steiner. Ele conclui que a verdadeira mudança social não seria possível até que um número suficiente de pessoas recebesse uma educação que contemplasse o desenvolvimento do ser humano completo.

Segundo ele, os professores devem formatar a instrução de modo que a criança não simplesmente a receba de uma maneira intelectual, mas que se beneficie da instrução de uma maneira estética.

“Nós não conseguiremos isso se as ideias tocarem apenas o intelecto. Nós podemos fazer isso se, como professores, nos conectarmos aos sentimentos das crianças de diferentes formas, de modo a alcançar a sua expectativa em relação ao assunto e dessa forma preenchê-lo. Você pode atender as necessidades estéticas da criança se você se tiver uma relação conectada aos sentimentos dela. Ao desenvolver primeiramente a sensibilidade, os sentimentos de maneira estética e com bom gosto, podemos direcionar o intelecto humano em direção aos aspectos da alma. Podemos dar às crianças a base para direcionar o intelecto ao espírito desde que pratiquemos o desenvolvimento do querer”, explica Steiner.

E como os professores aprendem a desenvolver o desejo de maneira apropriada? Permitindo que a criança seja artística. “ O mais cedo possível devemos permitir que a criança escute música, veja desenhos e pinturas, mas também permitir que elas participem. Atividades artísticas básicas devem acontecer cedo na educação, senão teremos pessoas com força de vontade fraca”, afirma Steiner.

Também precisamos estar atentos para não oferecermos explicações detalhadas a respeito da natureza, dos animais, etc. Steiner afirma que prejudicamos a experiência estética da criança quando oferecemos um estudo detalhado da natureza, como por exemplo quando “explicamos” o que é um determinado animal, como ele se move, como é seu corpo, seu habitat. Segundo ele, a criança deve formar uma visão geral e inclusiva das coisas para desenvolver seu senso estético.

Sua visão de reforma do Estado pode ser aplicada de forma global. Vivemos em um período de materialismo exacerbado em que muitas vezes a arte e o bom gosto dão lugar a bizarrices e manifestações grotescas promovidas pela indústria cultural, além de um embrutecimento da sensibilidade. Não seria a arte uma resposta para isso? Por que não oferecermos uma alternativa às futuras gerações. Mesmo as crianças que não estejam matriculadas em uma escola Waldorf podem se beneficiar dessas orientações. Pinturas com aquarela, música de qualidade e observação da natureza podem estar ao alcance de todos.

*http://goldenhours16.blogspot.com.br/

Julho chegou! Atividades para as férias

O post de hoje traz algumas dicas de atividades para as crianças do primeiro setênio, baseadas na pedagogia Waldorf, para fazer nas férias.

Embora sejam simples, muitas vezes esquecemos que as crianças não precisam de muito para ficarem felizes. Nós é que temos a mania de complicarmos as coisas.

Que tal colocar em prática algumas dessas atividades? Mesmo os mais crescidinhos se beneficiarão dessas brincadeiras. Para quem mora no Sul e Sudeste, uma recomendação: não deixe o frio espantar a vontade de sair de casa. É só colocar um agasalho bem quentinho e sair para apreciar as mudanças que a nova estação trouxe para o parque mais próximo.

Os assinantes da newsletter também vão receber um guia com passo a passo de brincadeiras e dicas de locais para visitar em diversas cidades.

 

Práticas Waldorf para Férias

Celebre a luz interior com o festival da lanterna

Lanterna

 

O mês de junho marca a chegada do inverno e com ele uma das celebrações mais bonitas e emocionantes realizadas pelas escolas Waldorf em minha opinião, a festa da lanterna. Ela é uma forma de reassegurar que a luz brilha em cada um de nós e precisa ser protegida, assim como a vela que ilumina a lanterna.

Embora a festa seja realizada próximo do dia de São João no Brasil, ela é originalmente celebrada no dia 11 de novembro, dia de São Martinho, nos países do hemisfério norte.

São Martinho é considerado o santo protetor dos mendigos e desamparados. Ele era conhecido por sua gentileza, humildade e sua habilidade em trazer calor e luz para os necessitados.

Conta a lenda que Martinho foi um soldado romano, que em uma noite fria de novembro, passou pelos portões da cidade de Amiens, na França, com seu cavalo e encontrou um mendigo praticamente sem roupas e tremendo de frio. Martinho então, com sua espada cortou seu pesado casaco em dois, dividindo-o com o mendigo. Naquela noite, ele sonhou com um anjo que lhe apareceu vestindo metade do casaco que havia sido dada ao mendigo e viu em seus olhos a luz divina que carregamos dentro de cada um de nós. A partir daí ele devotou a sua vida a ajudar os mais necessitados.

A preparação para a festa da lanterna começa com pelo menos três semanas de antecedência, quando as crianças começam a cantar as músicas do festival e escutam pequenas estórias relacionadas ao tema. Os pais participam dos preparativos confeccionando as lanternas para os pequenos. Por ser uma celebração que antecede a chegada do inverno, ela tem um caráter meditativo, apropriado para a estação do ano, quando o clima mais frio e as noites mais longas favorecem a interiorização do espírito.

No dia da festa, as crianças assistem à peça “A menina da lanterna” e em seguida saem em caminhada com suas lanternas, cantando canções folclóricas que falam sobre o homem, a natureza, o céu, a Terra e as suas relações. Elas também acendem uma linda fogueira. Sonia Ruella, mantenedora da escola Waldorf Alecrim Dourado, afirma em seu texto sobre festas cristãs que “é dever dos adultos, pais e professores, vivenciar a Festa da Lanterna com plena consciência trazendo as crianças, com veneração, os sentimentos belos, bons e verdadeiros pertinentes a essa época do ano”, ensina.

Essa festa tão bonita pode também ser vivenciada por pais e amigos em casa. Os festivais criam um sentimento de pertencimento e marcam os ritmos do ano. Segundo Steiner, os festivais marcam o ritmo das estações. Não é complicado realizar o festival da lanterna. O que precisamos são:

  • A confecção da lanterna com a ajuda dos adultos. Essa atividade já cria a expectativa para o que vem em seguida
  • Estória da menina da Lanterna – que pode ser contada por um adulto ou encenada como uma peça
  • A caminhada da lanterna
  • E comida para o encerramento. Por que não uma refeição à luz de lanterna?

A caminhada pode ser feita em um quintal ou para aqueles que moram em apartamento, em uma praça. Com certeza as crianças vão adorar.

*A estória “ A menina da lanterna” será enviada para todos os assinantes da newsletter.