Brinquedos educativos? Não, obrigada

“As atividades realizadas pela criança devem se basear diretamente nos afazeres da vida concreta. Não podem ser atividades inventadas. No que diz respeito ao jardim de infância, a necessidade da criança de imitar a vida é o que realmente importa. O trabalho de organizar a vida de modo a realizarmos diante da criança e da maneira correta o que convém às necessidades da vida e os impulsos provenientes da vontade de atuar do seu próprio organismo é uma grande tarefa, um trabalho pedagógico imensamente significativo”

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CEW Alecrim Dourado
Um dos espaços de brincadeira do CEW Alecrim Dourado, de São Paulo

Que a brincadeira é uma das melhores formas da criança se desenvolver, ninguém tem dúvida. Por meio delas, os pequenos aprendem a coordenação motora, a socialização, vivenciam a fantasia, entre outras coisas.

E não faltam estímulos para isso. A indústria do brinquedo educativo é altamente desenvolvida, com diversas opções para diferentes faixas etárias. Podemos escolher entre aqueles que estimulam conexões neurais, o desenvolvimento cognitivo e físico, ensinam tarefas do cotidiano, o alfabeto, coordenação motora fina, lateralidade e porque não, o primeiro acesso a outro idioma.

Mas será que toda essa parafernalha é necessária? Rudolf Steiner explica que até a segunda dentição, a criança é essencialmente guiada pela imitação. Ele afirma “Não podemos subestimar as influências bem sutis que atuam na criança a partir do ambiente em que vive e que a levam a sentir, mediante a mera observação a necessidade de imitação. Trata-se do que há de mais importante para o desenvolvimento humano nos anos da infância. ”

E o que isso significa? Que a criança não precisa de brinquedos sem significado intrínseco. Que ela não necessita de elementos artificiais para se desenvolver da melhor maneira possível. Muito pelo contrário. Imitar as atividades dos adultos e seus trabalhos é tudo o que ela quer.

Por isso, no jardim de infância Waldorf, as “jardineiras”, como são chamadas as educadoras, se comportam da maneira mais natural possível, para que a criança receba estímulos para imitar o que elas fazem. “Não é necessário ir de uma criança à outra para ensiná-la o que fazer. Ela ainda não quer seguir instruções de que lhe dizem para fazer. Ela quer imitar o que o adulto faz”, ensina Steiner.

“As atividades realizadas pela criança devem se basear diretamente nos afazeres da vida concreta. Não podem ser atividades inventadas. No que diz respeito ao jardim de infância, a necessidade da criança de imitar a vida é o que realmente importa. O trabalho de organizar a vida de modo a realizarmos diante da criança e da maneira correta o que convém às necessidades da vida e os impulsos provenientes da vontade de atuar do seu próprio organismo é uma grande tarefa, um trabalho pedagógico imensamente significativo”, de acordo com Steiner.

Quer dizer que não devemos dar nenhum brinquedo à criança? Não penso assim, mas isso já é conversa para um próximo post.

“Não podemos subestimar as influências bem sutis que atuam na criança a partir do ambiente em que vive e que a levam a sentir, mediante a mera observação a necessidade de imitação. Trata-se do que há de mais importante para o desenvolvimento humano nos anos da infância. ” Rudolf Steiner