Como a escola pode desenvolver o ser humano?

Qual é o papel da escola e dos educadores na sociedade? eles são responsáveis por moldar ou transformar um indivíduo? Seria possível olhar para um pensador, um grande cientista ou filósofo e dizer que a escola o forjou assim?

Para Rudolf Steiner, a escola pode fazer muito pouco para influenciar o que é específico de um indivíduo, do que ele é capaz de aprender com base em suas habilidades particulares. Mas um verdadeiro educador oferece as condições para que ele se desenvolva. “Não podemos fazer nada em relação ao que a pessoa se torna por meio de sua própria natureza, pois outros fatores são determinantes para isso. O que nós podemos fazer é remover obstáculos para que os indivíduos encontrem sua força interior para realizarem plenamente seus potenciais”, ensina Steiner.

Hoje eu gostaria de compartilhar um documentário brasileiro produzido por Veronica Marchi Costa – Waldorf: ensino e aprendizagem para além dos muros da escola. Ele foi gravado na Viver Escola Waldorf de Bauru e mostra  a sua rotina em seus diferentes setênios, explica o porquê de cada atividade, de acordo com a idade, como as diferentes disciplinas escolares são interligadas por meio de diferentes vivências e como essa pedagogia permite o verdadeiro desabrochar do ser humano.

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Como usar as cores no desenvolvimento infantil

“Através das cores, as crianças podem pouco a pouco expressar sua vida de sentimentos e qualidades da alma. Reconhecer e expressar sentimentos é um longo aprendizado para a criança e tem início na primeira infância. ”

aquarela
Utilização de cores primárias em aquarela Waldorf

O post de hoje surgiu a partir da dúvida de uma leitora e me levou a importantes descobertas sobre a utilização das cores. Recentemente uma mãe me perguntou no blog o porquê de as crianças só utilizarem o azul, amarelo e vermelho no jardim de infância Waldorf.

Como não tinha uma resposta para isso, recorri aos livros para encontrá-la e acabei chegando a uma explicação muito profunda sobre o impacto das cores nas crianças e como devemos utilizá-las para o seu desenvolvimento.

A psicóloga Patrícia Gimael e a arte-educadora Selma de Aguiar, exploram muito bem o assunto no livro Infância Vivenciada, que aborda o dia a dia de uma escola Waldorf.

Elas afirmam que “Através das cores, as crianças podem pouco a pouco expressar sua vida de sentimentos e qualidades da alma. Reconhecer e expressar sentimentos é um longo aprendizado para a criança e tem início na primeira infância. ”

Esse contato com as cores deve ser feito de forma gradual, para que as crianças possam experimentar cada uma das tonalidades individualmente, sem pressa.

E o que cada uma dessas cores nos mostra?

Azul

“O Azul interioriza e ao mesmo tempo acalma, promovendo relaxamento e trazendo sensação de amplidão. ”

Amarelo

“A partir de um centro forte, o amarelo irradia para a periferia. Ele tende a se expandir, irradiar, trazer luz. Acordar. E quando faz isso é como se estivesse doando a si mesmo. É uma cor relacionada à criação. O amarelo se aproxima do azul e diz: “Ei acorde. Temos um trabalho a realizar” e conforme os raios de luz tocam e acordam o azul, surge, triunfante o verde, a vida, a seiva, o chão. ”

Verde

“O verde é firme, Denso, sustenta. ”

Vermelho

“O vermelho traz calor às outras cores. Não só calor, mas também alegria e entusiasmo. Como o sangue, o vermelho pulsa. É o senhor do ritmo (contrair, soltar). Representa também a vontade. ”

Combinando as cores:

“Onde o vermelho tocar o amarelo, surgirá o laranja. Onde o azul tocar o vermelho, surgirá o roxo ou lilás. Uma cor entra, a outra cor recebe. O encontro das cores é o caminho das descobertas feitas pela criança. Com essas vivências, a criança expressará tudo a partir do sentimento, descobrirá sempre novas possibilidades… Ela vivencia cor ao lado de cor, e faz uma importante descoberta:  a de como as cores se comportam. ”

A aquarela também possibilita desenvolver a disciplina, pois ensina que não se deve utilizar o pincel em outra cor sem antes limpá-lo. E  ajuda a desenvolver a sensibilidade, para interagir e conhecer no outro a expressão mais íntima e essencial.

Devemos, no entanto, deixar a criança livre para se expressar, sem tentar obrigá-la a desenhar formas definidas ou utilizar determinadas cores em funções específicas. Rudolf Steiner orienta para que se evite, tanto quanto possível, moldar a imaginação infantil em contornos rígidos e acabados.

“Fortaleceremos de maneira prática o desenvolvimento da própria vida quando sabemos que, nessa faixa etária, não são as capacidades de raciocínio, de agregar elementos ou de construir a partir dos átomos que precisam ser incentivada, mas a ativa imaginação infantil, que vive no interior da criança, força que se desprende do trabalho ágil e cheio de vida interior”, Rudolf Steiner.

Podemos utilizar essas dicas também em casa não só com a aquarela, mas também com giz de cera e ver desabrochar desenhos maravilhosos, frutos do puro fluir infantil. E apesar de parecerem apenas rabiscos hoje,  trarão memórias afetivas deliciosas no futuro.

E como estamos falando de cores, gostaria de deixar a dica de um livro muito bonito que fala exatamente sobre as características dessas cores citadas em uma estória simples, mas bem intensa. Chama-se a Rainha das Cores e foi escrito e ilustrado por Jutta Bauer.